
O produto industrial aplicado é vendido em lojas e supermercados para uso doméstico, como impermeabilizações e limpeza de peças e partes de automóveis. Médicos alertam que as aplicações - feitas por meio de técnicas rudimentares e sem a assepsia necessária - costumam causar danos irreversíveis como feridas, deformidades, necroses e tumorações. Impróprio para o uso humano, por ser líquido, o silicone industrial migra no organismo.
A dançarina foi internada no HPS dia 21 de maio junto com um travesti de 43 anos - cuja identidade não foi divulgada -, que também fez as aplicações. A vítima fatal teria aplicado dois litros de silicone industrial na região glútea e pago R$ 700 pela aplicação. Arminda foi internada com febre e fortes dores na região que recebeu o produto. A área sofreu uma extensa necrose. A outra vítima permanece internada no HPS, mas não corria risco de morrer.
Homicídio
O travesti seria ouvido hoje pela delegada de Mulheres de Juiz de Fora, Sônia Regina Parma. Um outro travesti, conhecido como Paula, foi apontado como o responsável pelas aplicações, conforme as investigações preliminares. A delegada disse que há informações de que ele já teria "cometido o mesmo delito" em estados do nordeste. "A princípio estamos trabalhando com a hipótese de homicídio por dolo eventual. Essa pessoa teria assumido o risco de praticar essa conduta", disse. O crime prevê pena de seis a 20 anos de prisão.
Eduardo Kattah