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Quarta-feira, 16 de MAIO de 2012

19/07/2007 - 20h29

Médico conta como foram as primeiras horas do resgate na tragédia em Congonhas

da Redação

Tragédia em Congonhas. Minutos após o acidente com o vôo 3504, da TAM, centenas de bombeiros, médicos, policiais e outros integrantes de equipes de apoio foram enviados ao local para ajudar. Entre os que atuaram no resgate das primeiras vítimas, estava o médico Douglas Ferrari, presidente da Sebrati (Sociedade Brasileira De Terapia Intensiva), que veio ao UOL nesta quinta-feira e contou um pouco como foi o trabalho nas primeiras horas após a tragédia.

Segundo o médico, antes dele e sua equipe chegarem à avenida Washington Luís, "já era possível imaginar o cenário da tragédia". "O profissional treinado para atender urgências e emergências faz uma idéia do que vai encontrar", disse. "Quando chegamos, já sabíamos que não haveria sobreviventes. Já no impacto, um grande número de pessoas faleceu."

Ferrari explica que o sistema nervoso central não suporta desacelerações bruscas em velocidades acima de 40 km/h. Ao que tudo indica, o Airbus A-320 voava a aproximadamente 160 km/h no momento do acidente. "Muitas pessoas morreram por causa da colisão. As outras morreram ou por causa da explosão, que gerou um calor de até 3 mil ° dentro do avião, ou por causa da fumaça, mas estavam inconscientes. Foi praticamente instantâneo."

"A maioria entendeu em poucos segundos que haveria um choque, pois houve uma situação de defesa. As pessoas perceberam que haveria o impacto. Aqueles que estavam à frente faleceram naquele momento (da colisão), outra parte faleceu pela desaceleração do sistema nervoso. Os que não faleceram ficaram desacordados.Podemos afirmar que os passageiros não sentiram absolutamente nada.

O médico disse que uma das preocupações imediatas era atender quem estava no prédio da TAM Express. "Entre 90 e 95% das pessoas que estavam no edifício saíram rapidamente", disse. "As equipes conseguiram resgatar 14 pessoas e encaminhá-las para hospitais da região. Infelizmente, 4 morreram."

No local do acidente, Ferrari disse que, logo no início dos trabalhos, "o Corpo de Bombeiros retirou por volta de 25 vítimas que estavam nas laterais do prédio, todas carbonizadas". "No local do acidente, o cenário estava definido: uma temperatura espantosa de até 1 mil ° no centro do incêndio, com os bombeiros tentando controlar o fogo

"A chuva e o vento eram as principais preocupações, porque podiam levar o incêndio até um posto de gasolina (que ficava ao lado do prédio da TAM). Se houvesse uma explosão, uma área no raio de 300 metros ao redor do posto estaria seriamente comprometida e a situação seria muito pior.", afirmou. "Felizmente os bombeiros conseguiram diminuir bastante o incêndio por volta das 3h30."

Prédio atrapalha trabalhos

O maior desafio da equipe de bombeiros que permanece no local, na opinião de Ferrari, são os restos do prédio da TAM Express. "Possivelmente existem corpos lá", disse. O problema, segundo ele, é que a estrutura do edifício está comprometida e corre o risco de desabar. "Os bombeiros ainda não podem entrar nesse prédio, que corre o risco de cair. O objetivo não é aumentar o número de vítimas."

Outro desafio é identificar as vítimas que não estavam dentro do avião da TAM. "Saber quem estava fora, na rua, no posto ou no depósito passa a ser um problema. Agora, a informação de quem estava na região e desapareceu na hora do acidente fica mais importante."

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