O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou nesta terça-feira a São Jorge do Oiapoque, na Guiana Francesa, onde foi recebido por seu colega francês Nicolas Sarkozy.
Em entrevista após reunião, Nicolas Sarkozy, ao lado de Lula, afirmou que a França considera transferir tecnologia militar ao Brasil, especialmente para submarinos, helicópteros e aviões de combate.
"Estamos prontos para que um dos submarinos Scorpene seja fabricado no Brasil. Em relação a caças e helicópteros, estamos prontos para organizar transferências de tecnologia para que helicópteros e aviões de combate, especialmente Rafale, sejam feitos no Brasil", disse o presidente francês.
O assunto foi discutido pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, na viagem que fez à França em janeiro. Ele pediu justamente a transferência de tecnologia para o Brasil para a realização do negócio.
Um porta-voz da Dassault Aviation, fabricante do Rafale, evitou comentar a proposta de Sarkozy, mas assinalou que a fábrica já tem "uma tradição de grande cooperação com o Brasil e que está disposto a estudar os desejos de seu cliente".
Sarkozy salientou que a França deseja que as transferências de tecnologia integrem uma "parceria global" e não se limitem apenas a equipamentos militares.
Segundo integrantes da comitiva francesa, as discussões estão em curso entre Paris e Brasília e serão integradas à "parceria estratégica" que Nicolas Sarkozy pretende assinar com o Brasil ao fim do ano.
Encontro na GuianaO presidente Lula chegou à Guiana de barco pelo rio Oiapoque, que marca a fronteira entre Brasil e o território francês, acompanhado de uma comitiva que inclui os ministros da Defesa, Nelson Jobim, do Transporte, Alfredo Pereira do Nascimento, e do Meio Ambiente, Marina Silva. Lula desembarcou na Guiana às 11h30 e fez uma revista às tropas na praça central. Depois dirigiu-se junto com Sarkozy à sede da prefeitura de São Jorge do Oiapoque.
Além de questões referentes à defesa nacional, os presidentes discutiram preocupações em comum na região, como a libertação dos reféns das Farc. O presidente francês agradeceu o empenho de Lula em conseguir a liberação da política franco-colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada há seis anos.
Lula reiterou a Sarkozy que seu governo fará sempre o possível para conserguir a libertação da ex-candidata presidencial, mas destacou que isso deve ser feito de acordo com as autoridades colombianas.
Conselho de Segurança e G8A França defendeu a inclusão do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e defendeu também a reforma do G8 (grupo formado pelo Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos), no intuito de abrir as portas para os países emergentes.
"O mundo precisa que o Brasil assuma seu lugar em todas as organizações internacionais. É inimaginável que assuntos mundiais estejam sendo discutidos sem representantes da África e da América do Sul", declarou Sarkozy após a reunião.
Lula e o presidente francês concordaram em buscar soluções para a presença ilegal de brasileiros na Guiana Francesa, especialmente garimpeiros, e de combater o contrabando. Estima-se que 50 mil brasileiros vivam no território vizinho, dos quais apenas 20 mil legalmente.
Em cerimônia posterior ao encontro foi apresentada a maquete da chamada ponte binacional, que terá 400 metros de extensão e ligará as cidades de Oiapoque, no Brasil, e São Jorge do Oiapoque, na Guiana. A ponte é vista como um esforço ao desenvolvimento dessa área de floresta ainda selvagem. O projeto custará US$ 21,8 milhões e deve ser concluído em 2010.