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Sexta-feira, 05 de DEZEMBRO de 2008

12/10/2008 - 23h51

No Rio, Paes e Gabeira abandonam tom propositivo e trocam ataques em debate

Os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV), abandonaram o tom propositivo do primeiro turno e trocaram ataques durante o debate deste domingo na TV Bandeirantes.

Logo de início, Paes acusou Gabeira de ser preconceituoso com os moradores do subúrbio e explorou a postura dele de defesa da legalização da maconha. O candidato do PV reclamou de uma campanha de "baixo nível".

Folha Imagem
Eduardo Paes e Fernando Gabeira abandonam tom propositivo e trocam ataques
Eduardo Paes e Fernando Gabeira abandonam tom propositivo e trocam ataques


Paes citou uma conversa de Gabeira reproduzida pela imprensa em que ele se referia à vereadora Lucinha (PSDB) como "analfabeta política" e dotada de uma "visão suburbana' sobre o problema do Lixão de Paciência.

"O deputado Fernando Gabeira, num desabafo, disse que uma vereadora tinha uma visão suburbana das coisas. Você demonstrou um preconceito enorme ao povo do subúrbio, talvez porque não conheça essa cidade", disse o peemedebista.

Gabeira reclamou de uma suposta tentativa do adversário de jogá-lo contra o povo do subúrbio. "Eu sou o político do país que mais lutou contra o preconceito", disse. "Antes do candidato nascer eu já tinha perdido uma parte do fígado e do rim lutando pelo povo brasileiro", acrescentou.

O candidato do PV lembrou a declaração do governador Sérgio Cabral de que "a Rocinha é uma fábrica de marginais", mas disse que não exploraria isso com finalidade eleitoral.

Os candidatos também mencionaram o espancamento de um militante do PV no sábado por partidários da campanha do PMDB. Paes citou três ações penais a que o militante reponde e Gabeira respondeu que "não se justifica violência atribuindo uma ficha penal a ninguém".

"A agressão de ontem veio combinada com várias coisas, como uma manifestação organizada por membros do PMDB [contra o suposto preconceito com o subúrbio]. É uma campanha negativa, com espancamento das pessoas, um baixo nível que não está à altura da qualidade do candidato", reclamou Gabeira, que Paes acusou de fazer "oportunismo" com o episódio da briga de militantes.

O verde disse que o adversário buscava apresentá-lo como "uma pessoa distante, um grã-fino com preconceito". "Essa idéia é equivocada, eu comecei a trabalhar com 9 anos, vendi banana, fui maquinista de metrô, porteiro de hotel, cortei grama em cemitério", ressaltou.

Paes contestou Gabeira sobre a suposta falta de projetos para a cidade do Rio durante os mandatos de deputado federal. "Eu [quando era deputado] não fiquei me preocupando só com herbário no Jardim Botânico, com elevação do nível do mar em Pernambuco", disse.

O peemedebista afirmou conhecer melhor os problemas da cidade. "Exijo que o senhor respeite a minha trajetória política. Eu não estou fazendo turismo eleitoral igual a você. Ninguém inventou minha candidatura. Não tenho esse egocentrismo todo, vou com muita humildade discutir a cidade", expressou.

Drogas

Indagado sobre a politica de segurança pública do governo do Estado, o candidato do PMDB disse que "o candidato Gabeira sempre teve uma posição liberal com relação a questões de segurança pública", referindo-se à posição dele a favor da descriminalização da maconha. Ele disse ainda que sua candidatura tem "uma visão clara" de que a droga tem que ser combatida.

O tema foi retomado em outro momento do embate, quando Gabeira lembrou que Cabral --principal cabo eleitoral de Paes-- também é favorável à descriminalização das drogas. O peemedebista respondeu que Cabral apenas levantou o debate, "o que é bem diferente de fazer apologia de droga".

Partidos e alianças

Ao longo do debate, cada candidato questionou os aliados políticos do adversário. Enquanto Gabeira cobrou do adversário explicações sobre o governo de Sérgio Cabral, Paes explicitava, a cada referência ao prefeito Cesar Maia, que o alcaide apóia o candidato do PV no segundo turno, para irritação de Gabeira.

"Todas as vezes que você menciona o Cesar Maia coloca entre vírgulas que ele apóia minha candidatura. Sabe quantas vezes eu vi o Cesar Maia na minha vida? Umas cinco. Você é cria dele, trabalhou toda a vida com ele, tem o estilo dele... e me acusa de ter o apoio do Cesar Maia. Isso é um cinismo tão grande que deveria até ter um pouco de escrúpulo. Cada vez que vier com um 'entre vírgulas' desses vai ouvir", disparou o candidato do PV.

Paes pediu "tranqüilidade" ao verde e o acusou de esconder o apoio de Cesar. "Eu participei do primeiro governo Cesar Maia, mas já não participo desse há muito tempo", acrescentou.

O deputado federal do PV também reagiu às constantes associações com o PSDB, que integra sua coligação. "Cada vez que o candidato fala de mim, se refere aos partidos que me apóiam. Mas o último secretário de saúde do PMDB [Gilson Cantarino, do governo Rosinha Garotinho] está preso. Se vamos trabalhar neste nível, sua situação é muito mais desconfortável. Por isso você não deveria falar que as pessoas com ficha suja devem ser espancadas. Isso desrespeita o direito dos seus correligionários na cadeia", ironizou.

Gabeira também disse que, "por não ter uma visão crítica da política de segurança do governo do Estado", a contribuição de Paes neste aspecto como prefeito "será limitada". "É muito melhor uma pessoa criativa [na prefeitura], do que uma pessoa obediente que vai correndo atrás do presidente tirar uma foto", ironizou.

Paes se queixou de ataques pessoais do adversário. "Não são todos políticos que você fala grosso e abaixam a cabeça."

Nas considerações finais, o verde acusou o peemedebista de produzir panfletos apócrifos e camisetas difamatórias contra ele, além de organizar passeatas contra o suposto preconceito dele contra o subúrbio. Paes acabou ganhando direito de resposta e negou as acusações.

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