Pesquisa realizada pelo DataSenado (instituto de pesquisa do Senado Federal) em novembro deste ano mostra que, se os parlamentares fossem estudantes, passariam raspando pela avaliação da população brasileira. Segundo a pesquisa, os senadores receberam a nota 5,6, numa escala de zero a dez, no que diz respeito ao desempenho parlamentar no Congresso.
Apesar da descrença da população quanto à atividade dos senadores, a nota foi superior às recebidas pelos parlamentares nas pesquisas realizadas ao longo do ano, em março (4,8), junho (5,1) e agosto (5,2). Em tom otimista, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), comemorou o pequeno crescimento da 'média' dos senadores.
"Estou satisfeito com esse crescimento. Os números me levam a crer que estamos no caminho certo", afirmou.
Desde o ano passado, o Senado vem obtendo queda na sua imagem perante a opinião pública depois das denúncias envolvendo o ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL). Em um ano de "mandato-tampão" para substituir Renan, Garibaldi adotou como principal discurso no comando da Casa Legislativa a redução das MPs (medidas provisórias) editadas pelo Executivo --bandeira que ganhou apoio da opinião pública.
O DataSenado aponta que 57% dos entrevistados defendem mudanças no atual rito de tramitação das MPs --para impedir que pautas da Câmara e do Senado fiquem trancadas por essas matérias. Outros 38% defendem a manutenção do modelo atual, para que nada seja votado antes das medidas provisórias quando elas estiverem com o prazo de votação vencido.
Segundo a pesquisa, o presidente da República encaminhou este ano (até outubro) o total de 35 MPs, que trancaram a pauta de votações de 74 das 104 sessões realizadas no Congresso.
A pesquisa mostra que 64% dos entrevistados consideram que o presidente da República, ao editar uma MP, assume uma função que é do Congresso Nacional. Além disso, segundo o DataSenado, 96% dos brasileiros avaliam que a urgência e a relevância das MPs devem ser avaliadas pelo Congresso --uma vez que, pela Constituição Federal, elas devem ser editadas somente se atenderem a esses dois critérios.
"Compartilho com o pensamento do povo brasileiro que entende a importância das medidas provisórias, mas deseja disciplinar a tramitação dessas matérias no Congresso", disse Garibaldi.
Segundo a pesquisa, 72% dos entrevistados afirmaram que cabe ao Congresso a tarefa de legislar. Somente 16% responderam que o presidente da República também deve assumir a prerrogativa de criar leis.
O DataSenado ouviu, por telefone, 1.092 pessoas acima de 16 anos entre os dias 20 a 28 de novembro. Os entrevistados são residentes de capitais brasileiras, com acesso a telefone fixo. Ao longo de 2008, foram realizadas quatro pesquisas pelo DataSenado para acompanhar a opinião pública a respeito do Congresso.