O prefeito de Bujari (28 km de Rio Branco) estreou seu mandato despachando debaixo de uma árvore no segundo dia do ano. Ele não pôde entrar no gabinete porque a prefeitura estava suja de fezes humanas, não havia computadores e os móveis estavam danificados, segundo a assessoria.
O prefeito João Edvaldo Teles de Lima (PMDB), que disputou o cargo com o candidato a reeleição Michel Marques (PT), afirma que a equipe do petista praticou o vandalismo.
"Não tenho dúvidas de que foram eles. E, além da sujeira, deixaram a prefeitura inadimplente. Vou precisar de cinco dias de expediente interno para levantar todos os problemas."
Na sexta-feira (2), a prefeitura foi interditada para perícia e o prefeito da cidade de 6.543 habitantes deu ordens e assinou ofícios sentado debaixo de uma árvore em frente à prefeitura.
Além de fezes nos corredores, o novo governo encontrou salas sem computadores, gavetas quebradas e a fiação arrancada, segundo a assessoria.
O gabinete e quatro secretarias que funcionam no prédio voltaram ao normal ontem, após três dias de limpeza.
O ex-prefeito diz que as fezes podem ter sido encontradas em dois banheiros públicos que ficam junto ao prédio da prefeitura, mas que ninguém da sua equipe praticou vandalismo.
"Se ele observar o patrimônio listado, vai ver que não falta nada. Algumas impressoras eram alugadas e o contrato acabou. Então saíram."
Ainda de acordo com Marques, a prefeitura pode ter algumas contas com o prazo de pagamento vencido, mas essa situação é normal em qualquer administração, segundo ele.
Cobra coral
Em Almadina (480 km de Salvador), a equipe do novo governo também diz que teve uma surpresa desagradável ao entrar no gabinete.
Uma cobra coral venenosa de quase 70 cm foi encontrada debaixo da mesa que será ocupada pelo prefeito José Raimundo Laudano (PMDB). A suspeita é que alguém tenha colocado a cobra no local, já que a sala estava fechada e o animal não é comum na região, segundo Laudano.