Após reunião com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na noite desta quarta-feira (1º), a bancada do PT passou a trabalhar com a hipótese de permanência do peemedebista no cargo. O líder petista no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse que "não vê espaço para uma
licença temporária", como foi sugerido pela bancada na manhã de hoje. A renúncia também não é vista como uma boa solução pelos petistas.
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"Em nenhum momento a bancada defendeu a renúncia, e não vi nenhum partido propor a renúncia do presidente. A renúncia é uma possibilidade que o presidente pode vir a tomar, mas, no nosso ponto de vista, não parece uma solução adequada, porque a responsabilidade pela crise do Senado não pode ser creditada apenas ao presidente Sarney. Isso não é justo", afirmou. Segundo Mercadante, a bancada petista reúne-se nesta quinta (2) com o presidente Lula para "tomar uma decisão final".
Sarney evita debater crise em plenário
Segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Sarney teria dito hoje que prefere renunciar a licenciar-se do cargo. A afirmação teria sido feita em conversa que teve com líderes do governo na manhã de hoje em sua casa em Brasília. À noite, houve nova reunião, que terminou por volta das 20h.
Questionado sobre as opções que Sarney teria neste momento - permanecer na presidência ou renunciar - Mercadante disse que "essas são as duas hipóteses", mas indicou que a primeira delas é a adotada pela bancada neste momento. " Nenhum dos partidos da casa propôs a renuncia e nós não trabalhamos com essa hipótese."
"A licença temporária, eu vejo que não há espaço para que essa proposta evolua [devido à negativa de Sarney]. A renúncia é uma possibilidade. A manutenção dele é outra possibilidade. Nós não vemos que essa [a renúncia] seja uma solução no momento em que estamos apurando porque muitos têm responsabilidade neste processo [da crise no Senado]", disse Mercadante.
Pela manhã, Mercadante anunciou que a sigla pediria o licenciamento. De acordo com o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), a maioria da bancada petista defendeu uma licença temporária ontem e
a sugestão foi apresentada a Sarney hoje. Mas Sarney "não mostrou disposição" em aceitar a sugestão, informou Mercadante.
Trabalhando com a hipótese de permanência, o PT já pensa no trabalho que será feito de agora em diante. "Nós queremos arregaçar as mangas e trabalhar a reforma do Senado, montar a comissão [para investigar as denúncias], fazer as mudanças, continuar a apuração e buscar uma saída para o Senado."
De acordo com o senador, o presidente Sarney disse aos dez integrantes da bancada que participaram da reunião na noite desta quarta que "não quer ser obstáculo às dificuldades do Senado". "Ele acha que parte das denúncias que fizeram ele já esclareceu e considera que o Senado tem que ter uma vida ativa", completou Mercadante.