Em depoimento no MPF (Ministério Público Federal), o ex-funcionário da Prefeitura de Curitiba Alexandre Gardolinski negou hoje ter sido o autor das gravações de vídeos que mostram distribuição de dinheiro supostamente sem origem comprovada dentro de um comitê de apoio à reeleição do prefeito Beto Richa (PSDB).
Demitido do cargo de confiança que ocupava em uma secretaria municipal quando as imagens vieram a público, Gardolinski disse ainda que Richa nada sabia sobre o manuseio de dinheiro dentro do comitê, formado por dissidentes do PRTB que saíram da legenda para apoiar a reeleição do tucano.
Os dissidentes aparecem recebendo dinheiro nas cenas. Richa negou envolvimento e disse que assim que soube das imagens demitiu Gardolinski e outras sete pessoas que aparecem nos vídeos.
Sobre o dinheiro, Gardolinski disse que era enviado pelo construtor Rodrigo Oriente, integrante do comitê, para pagar os dissidentes do PRTB. Foi Oriente quem denunciou a distribuição de dinheiro e entregou os vídeos no mês passado para o MPF.
Gardolinski também apontou Oriente como o autor das gravações. Segundo Gardolinski, o material seria usado por Oriente para exercer controle político sobre os dissidentes e obter cargos na prefeitura.
A respeito dos recibos frios mostrados nas gravações, contendo despesas e pagamentos fictícios, Gardolinski disse que eles foram preenchidos a pedido de Oriente
.
O advogado de Oriente, Haroldo Alves Júnior, disse que as declarações de Gardolinski "são absurdas". "O próprio conteúdo das provas [vídeos] demonstra que era ele [Gardolinski] quem estava gravando tudo", disse o advogado.