A Justiça do Paraná negou nesta quinta-feira pedido de liberdade para o auxiliar de serviços gerais
Juarez Ferreira Pinto, 42, preso há quatro meses e 16 dias sob suspeita de ter atacado um
casal de universitários, no final de janeiro, em uma trilha em Matinhos (110 km de Curitiba), no litoral do Paraná. O motivo da decisão não foi informado porque a Justiça decretou sigilo sobre o processo.
Irmão de Juarez, o policial civil Altair Ferreira Pinto, o Taíco, afirmou que a família vai processar o Estado para repor danos materiais e morais causados pela prisão.
Os advogados contratados pela família defendem a liberdade do suspeito depois que a polícia informou ter detido há dez dias outro homem que
afirma ter cometido o crime.
Em 31 de janeiro, o universitário Osíris Del Corso, 22, e a namorada dele, Monik Pegorari Lima, 23, foram baleados durante tentativa de assalto em uma trilha próxima a uma praia em Matinhos. Del Corso morreu e a jovem ficou paraplégica.
Um exame de balística apontou que os tiros partiram da arma do segundo suspeito. Apesar dos novos indícios, Monik manteve o reconhecimento de Juarez. Os dois suspeitos têm semelhanças de rosto.
O Ministério Público Estadual defendeu a realização de novas investigações por ter constatado "contradições" no depoimento do segundo suspeito. O juiz do Fórum de Matinhos, Rafael Luis Brasileiro Kanayama, determinou sigilo temporário no processo até que as apurações sejam concluídas.
Segundo o irmão de Juarez, o aparecimento de um segundo suspeito no caso já é suficiente para livrá-lo da cadeia. Taíco declarou que a família vai exigir reparação na Justiça pelo que afirma ser um erro das investigações. O comando da Polícia Civil do Paraná diz que não é possível dizer que houve erro.
"A família vem sofrendo muito. Na hora em que tivermos as condições legais, não vamos perder tempo. Foram muitos danos materiais e morais acumulados em quatro meses", afirmou Taíco.
O policial disse que o irmão não tem condições físicas de subir a trilha onde o crime foi cometido e que há testemunhos que confirmam que o irmão estava a 22 km da trilha no dia do crime. Segundo seus advogados, Juarez sofre sequelas de doenças como Aids e hepatite B e C e, por isso, não reúne forças para subir locais íngremes, como os da cena do crime.