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Domingo, 26 de outubro de 2014

BOL Notícias

Com servidores em greve, Maceió monta pontos estratégicos para garantir vacinação da gripe A

Beto Macário/UOL

Servidores municipais em greve fazem ato no centro de Maceió na manhã desta quarta-feira (14)

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

A greve dos servidores públicos de Maceió está acarretando uma série de problemas à população da capital alagoana. Desde a última segunda-feira (12), a maioria dos postos de saúde está fechada, as escolas estão sem aulas e os serviços administrativos estão parcialmente suspensos. A prefeitura montou pontos estratégicos para garantir a vacinação contra a gripe A, uma das ações mais afetadas pela paralisação.

Nesta quarta-feira (14), os servidores decidiram, em assembleia, recusar a nova proposta feita pela prefeitura de reajuste de 5% e decidiram pedir um reajuste único a todos os servidores de 15%-- antes, as propostas das categorias variavam entre 15% a 25%. Com a decisão, a greve segue por tempo indeterminado.

Em razão do fechamento dos postos de saúde, a população está sem acesso a consultas médicas e remédios. Na Unidade de Saúde do bairro da Pitanguinha, uma das mais importantes da rede municipal, o atendimento está totalmente suspenso, inclusive as vacinações. Até os médicos, que não aderiram à greve, não estão atendendo os pacientes.

Na manhã de hoje, a aposentada Ione Teixeira Alves, 65, foi à consulta, marcada no mês passado, que deveria ter com um ortopedista, mas encontrou a unidade de saúde fechada e teve que voltar para casa.

  • Beto Macário/UOL

    Ione Teixeira Alves, 65, tinha consulta marcada com o ortopedista, mas perdeu a viagem

  • Beto Macário/UOL

    Maria Helena, 56, e Ana Paula, 33, encontraram
    o posto da Pitenguinha fechado

“Demorei para conseguir [a consulta], estou com todos os exames e não posso ser atendida. Paguei um táxi para vir até aqui porque não consigo andar por causa do meu problema de coluna e da dor nas pernas”, afirmou a aposentada, sem receber qualquer posicionamento da direção do posto sobre um possível remarcação.

Já a dona-de-casa Maria Helena, 56, estava em busca de um médico para conseguir o direito a uma vacina a gripe A. “Vim saber da médica sobre a vacina, já que tenho um problema sério de pele, mas vou ter que esperar. Espero que ainda dê tempo antes de terminar a vacinação”, disse. Caso seja indicada a tomar a vacina por ser doente crônica, ela tem até o dia 23 para garantir a imunização.

A entrega de remédios também está suspensa na unidade. Ana Paula, 33, esteve nesta manhã em busca de medicamentos para sua mãe, Neuza Gomes, 57, que sofre de hipertensão, mas voltou de mãos vazias. “Não sei o que fazer, porque não temos recursos. Minha mãe ainda não é aposentada, mas vamos ter que dar um jeito de comprar, pois não tem como esperar”, afirmou.

Contudo, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a greve não atinge 100% dos postos e que profissionais foram contratados de forma temporária para garantir a imunização em 14 locais estratégicos, como supermercados e shoppings da cidade. “A preocupação da Secretaria é garantir que a população obtenha a vacina, conforme a determinação do Ministério da Saúde”, informou ao UOL Notícias.

Mas quem vai a um desses locais reclama das filas que chegam a durar quase uma hora. “Levei meu filho nessa terça-feira e, além do atraso no início da vacinação, acabei esperando em torno de 50 minutos para ser vacinado”, criticou a desempregada Caroline Barbosa, 31.

O presidente do Sindicato, Valmir Gomes, informa que estão sendo mantidos apenas os serviços de emergência, além de 100% do atendimento na maternidade Denilma Bulhões e no transporte de doentes renais que precisam de hemodiálise.

Outras áreas afetadas
Outros setores também estão afetados. A presidente do Sindicato dos Servidores em Educação, Célia Capistrano, informou que a suspensão das aulas atinge a todas as escolas da capital alagoana. "Temos 53 mil alunos fora da sala por falta de sensibilidade da prefeitura", disse.

No setor administrativo, áreas essenciais como finanças e administração estão mantendo o número mínimo de 30% de servidores. “Nós decidimos que não vamos aceitar a proposta da prefeitura [de 5% de reajuste] porque discordamos dos números apresentados e acreditamos que ela pode avançar e contemplar as categorias. Nós ajudamos a vida dos gestores ao unificarmos o pedido de reajuste em 15% e vamos aguardar resposta”, afirmou.

O secretário Municipal de Comunicação, Marcelo Firmino, disse que a prefeitura vai continuar negociando com os servidores. “A mesa de negociação está aberta. Mas até agora não houve sinalização para um reajuste maior que os 5%, pelo comprometimento da folha e o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com essa proposta, o município já vai comprometer 44,5% da receita, e isso já aproxima do limite prudencial da lei. Queremos apelar para sensibilidade dos servidores”, afirmou.

Firmino disse ainda que o reajuste não prevê somente um aumento salarial e acredita em um acordo em breve. “Está embutido aí também 5% de progressão que os servidores que têm direito. Essa situação precisa ficar clara”, afirmou o secretário.

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