
04/06/2011 - 13h13 | do UOL Notícias
Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias*
No Rio de Janeiro
Atualizado em: 04/06/2011 - 18h53
Em entrevista coletiva dada na tarde deste sábado (4), o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), chamou os bombeiros que ocuparam o Quartel Central do Corpo de Bombeiros, no centro da cidade, de "um grupo de vândalos irresponsáveis, que não vai prejudicar a imagem da instituição", que, segundo ele, "é tão querida" e "recebeu grande apoio" do seu governo.
Ele, em seguida, anunciou a troca do comando da corporação devido "a um descontrole hierárquico absolutamente inconcebível". Segundo ele, assume o coronel Sérgio Simões, que até então era secretário da Defesa Civil municipal, no lugar do coronel Pedro Machado.
Cabral afirmou ainda que 439 bombeiros foram presos e vão responder por invasão de prédio público. Cabral já ordenou a abertura de processo administrativo e pediu ao Ministério Público abertura de processo criminal.
O governador disse também que acredita que os protestos têm motivação política. "Esse grupo de bombeiros foi seduzido pelo discurso delinquente de políticos, que ficam misturando Bíblia com política", afirmou, exaltado.
A internauta Rosana (usuária Jibrine2000), do Rio de Janeiro, postou neste sábado (4) um vídeo que mostra a invasão do Bope no quartel onde estavam os cerca de 2.000 bombeiros, que pedem aumento de salário e melhores condições de trabalho. "Achei muita covardia do governo do Estado do RJ com essas pessoas que são os verdadeiros heróis da nação", escreveu, depois de flagrar o momento em que a tropa de elite dispara granadas e bombas de efeito moral.
Hoje cedo, o Bope (Batalhão de Operações Especiais) invadiu o quartel pelos fundos, usando uma escada. Os agentes também jogaram bombas de efeito moral contra os cerca de 2.000 manifestantes, de vários batalhões da cidade, que ocuparam o local na noite de sexta-feira (3), alguns acompanhados por familiares e até por crianças.
Eles reivindicam um aumento de R$ 950 para R$ 2.000, além de melhorias em suas condições de trabalho. "Nós temos o pior salário da categoria no país. Estamos há dois meses tentando negociar com o governo, mas até agora não obtivemos resposta," disse o porta voz do movimento, o cabo dos bombeiros Benevenuto Daciolo. "Nosso movimento é de paz e estamos em busca da dignidade e precisamos de uma solução".
Questionado sobre as condições salariais dos bombeiros, o governador respondeu que isso não é verdade, dizendo que já existe um programa de recuperação salarial. Cabral alegou que investiu R$ 120 milhões em novos equipamentos para a corporação nos últimos anos.








"Se [o salário] não é ideal, deixou de ser o que alguns desses amotinados dizem por aí. E mesmo que fosse o pior salário do país, não justificaria a entrada daquele jeito no quartel", argumentou.
A PM informou que os manifestantes foram levados ao Batalhão de Choque e parte deles começou a ser transferida para a Corregedoria da corporação, que fica em São Gonçalo.
Cabral se reuniu durante a manhã, no Palácio da Guanabara, com parte da cúpula do governo do Estado para avaliar o movimento de protesto dos bombeiros. O governador conversa com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame; com o vice-governador Luiz Fernando Pezão; com o secretário da Casa Civil, Regis Velasco Fichtner Pereira, e com o coronel da PM, Mário Sérgio Duarte.
O coronel Íbis Silva Pereira, porta-voz da Polícia Militar, confirmou na manhã deste sábado (4) que uma criança deu entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar após a invasão do Bope. Segundo ele, a criança teve um problema por inalação da fumaça, que provalvemente foi provocada pela granada usada pelo Bope para arrombar o portão do quartel, que havia sido trancado pelos manifestantes com uma barreira de carros de bombeiros.
Manifestantes também afirmam que outras pessoas foram feridas, inclusive outras crianças, e a mulher de um cabo passou mal e teria perdido o bebê durante a confusão. A deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ), que passou a noite com os manifestantes e as famílias que se uniram ao protesto dos bombeiros, contou que a grávida sofreu um aborto espontâneo.
Segundo funcionários do Hospital Municipal Souza Aguiar, pelo menos cinco crianças deram entrada atordoadas e com ferimentos leves. Elas foram acalmadas, medicadas e liberadas em seguida.
* Com agências de notícias.
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