
22/06/2011 - 18h07 | do BOL
Caio Terreran/BOL
Retirada de bicicleta por meio de terminal do Pedalusp: projeto é inspirado em iniciativas vistas na Europa
Caio Terreran
Do BOL
Pouco mais de um mês após entrar em fase de testes na Universidade de São Paulo (USP), o projeto Pedalusp (terminal de empréstimo de bicicletas a alunos da instituição) tem o apoio do Estado para ser estendido para fora da universidade.
De acordo com o Secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernandes, o governo do Estado já teria se colocado à disposição da USP para a implantação de uma ciclofaixa ligando a estação do metrô Butantã à portaria principal do campus da Cidade Universitária – uma distância de aproximadamente 1 quilômetro.
Dessa forma, alunos da instituição poderiam descer no metrô, retirar a bicicleta munidos de seu registro acadêmico (veja álbum de fotos que mostra como o sistema funciona), pedalar e deixar a bicicleta em terminais instalados dentro da universidade. O apoio inclui a autorização da concessionária que opera a estação (a ViaQuatro), que cederia espaço, estrutura e segurança para o terminal de bicicletas.
“Da parte do Estado, posso dizer que está tudo pronto”, afirmou Fernandes ao BOL. Ele se diz um entusiasta da bicicleta em uso urbano. “O que falta é um empenho da USP em colocar o projeto em prática. As conversas para isso já ocorrem desde fevereiro, mas nada acontece”, disse.
“O Metrô de São Paulo, infelizmente, não pode focar nessa questão. Temos de olhar para grandes sistemas. Se eu estivesse morando em Estocolmo [capital da Suécia], daria para operar metrô e empréstimo de bicicletas, mas São Paulo tem urgências, como a expansão da malha metroviária da cidade.”
Fernandes considera “irritante” a demora na implementação, pela USP, do Pedalusp na estação Butantã. “Não entendo o motivo da demora. Especialmente quando há um problema sério nos campus universitários do país, que mais se parecem com pátios de estacionamentos de montadoras, lotados de carros. Para constatar isso basta sobrevoar a USP ou a Unicamp.”
Procurada pelo BOL, a USP não comentou as declarações de Fernandes até a publicação desta reportagem.
Inspiração em capital europeia
Em testes na Escola Politécnica da USP desde o dia 4 de maio, o Pedalusp é uma criação dos engenheiros mecatrônicos Mauricio Villar e Maurício Matsumoto, inspirada em modelos vistos em cidades francesas como Paris e Marselha.
Villar explicou como teve a ideia: “Fui morar na França em 2005 e lá usava muito a bike como meio de transporte lá. Ao voltar em 2008, eu e meu sócio apresentamos a ideia como trabalho de conclusão de curso. Há um problema de mobilidade na USP e o Pedalusp tenta suprir essa lacuna”.
O sistema criado pela dupla consiste em estações equipadas com espaço para acoplar bicicletas e monitores equipados com um programa de computador. Através do programa, alunos da USP podem retirar as bicicletas com seu registro acadêmico e as usarem por até 20 minutos – facilitando o trânsito entre prédios na Cidade Universitária. Ao fim do período, podem retornar a bike ao mesmo terminal ou a deixarem em outro. Quem atrasa a devolução das bikes sofre penalizações que suspendem o empréstimo e até banem o usuário.
Para os alunos da Poli, o Pedalusp só tem um defeito: o curto tempo de utilização permitido. “Já usei e gostei, só que são apenas 20 minutos de empréstimo. Esse tempo não permite que eu vá, por exemplo, ao refeitório almoçar”, disse Dietry Amaral de Miranda, estudante de engenharia civil. Queixa semelhante foi feita pelo aluno de engenharia de materiais Eduardo Bertin: “Se pudesse usar por mais tempo, seria melhor. Mais estações também ajudariam o projeto a ser mais útil. Mesmo assim costumo utilizar bastante.”
O idealizador Villar reconhece que há pontos a serem aprimorados, mas comemora a aceitação do Pedalusp entre os estudantes do campus. “Em pouco mais de 45 dias em testes, tivemos 540 alunos inscritos e mais de 740 empréstimos de bicicletas, uma média de seis retiradas de cada bike por dia. O próximo passo é expandir o Pedalusp para fora da universidade e quem sabe agora isso esteja prestes a acontecer.”
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