DE SÃO PAULO
Está programado para retomar por volta das 9h desta quarta-feira o terceiro dia de julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel, em 2008, no fórum de Santo André (Grande São Paulo). A expectativa é que o réu fale sobre o caso pela primeira vez.
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Ontem, o julgamento foi marcado por discussões envolvendo a advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, que chegou a falar pra juíza Milena Dias voltar para a estudar. Assad foi hostilizada na frente do fórum e criticou a imprensa. "A imprensa está sendo leviana comigo e isso está colocando minha vida em risco", afirmou.
Nesta quarta-feira, deverá ser ouvido o depoimento do policial Paulo Sérgio Squiavo, integrante da equipe do Gate (tropa de elite da PM) que invadiu o apartamento onde Lindemberg mantinha Eloá e Nayara reféns.
Em seguida deve ser ouvido o réu. Essa pode ser a primeira vez em que ele vai falar sobre o caso. Depois a defesa e a acusação deve inciar os debates. A previsão inicial era de que o julgamento terminasse hoje.
Também ontem, o capitão do Gate, Adriano Giovanini, disse em depoimento que a invasão do apartamento onde a jovem era mantida em cárcere foi motivada por um disparo ouvido pela polícia. Ele disse também que a última conversa com Lindemberg na negociação teve um tom de despedida, o que poderia significar que ele faria algo contra as vítimas.
RELEMBRE O CASO
Eloá Pimentel, 15, foi rendida pelo ex-namorado no dia 13 de outubro de 2008 e mantida em cárcere privado por mais de cem horas dentro do apartamento em que morava em um conjunto habitacional do Jardim Santo André, em Santo André.
Na ocasião, a adolescente estava em companhia de três amigos --dois garotos liberados no mesmo dia e de Nayara que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento no dia 16 de outubro.
O desfecho do caso ocorreu na noite do dia 17 de outubro quando a polícia invadiu o apartamento, alegando ter ouvido um tiro de dentro do imóvel. A acusação diz que o rapaz atirou contra Eloá e Nayara, causando a morte da ex-namorada e ferindo a amiga dela na boca.
Durante as negociações, Lindemberg também teria atirado contra o sargento da PM Atos Valeriano. Ele foi o primeiro PM a chegar ao local e negociou a rendição de Lindemberg por cerca de 22 horas, até que o Gate assumisse.
Lindemberg responde por 12 crime. Entre eles estão homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio (contra Nayara e contra o sargento Atos Valeriano), cárcere privado (contra Eloá, contra os dois amigos e duas vezes contra Nayara, por ter retornado ao cativeiro) e por disparos de arma de fogo.
Lindemberg e Eloá namoraram por três anos e estavam separados havia um mês quando ocorreu o crime.