
22/02/2012 - 16h45 | do UOL Carnaval
Robson Ventura/Folhapress
Tumulto interrompe apuração das escolas de samba do Grupo especial de São Paulo (21/2/12)
Etienne Jacintho
Do UOL, em São Paulo
A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (22) que vai punir a Império de Casa Verde caso seja comprovada sua participação no tumulto ocorrido durante a apuração na terça-feira (21).
"Se ficar comprovado que a Império de Casa Verde é responsavel pelo incidente, ela vai ser penalizada", disse Paulo Sérgio Ferreira, presidente da entidade, em entrevista coletiva na sede da Liga-SP.
III – Comportamento inadequado por parte de qualquer Dirigente ou Representante da Escola de Samba (...) na apuração, no sentido de pressionar, ameaçar ou agredir a integridade física ou moral de algum membro da organização, LIGA, comissões, jurados (...) [fará com que a escola seja] sumariamente eliminada do concurso, com a conseqüente desfiliação, bem como, conforme o caso sofrerá, ainda, as sanções previstas no Estatuto Social.
Um comportamento inadequado por parte de qualquer dirigente ou representante de escola de samba durante a apuração pode eliminá-la da competição no Carnaval. A regra faz parte do Regulamento dos Desfiles do Grupo Especial das Escolas de Samba de São Paulo.
Paulo Sérgio explicou que cada escola recebe dez pulseiras que permitem o acesso ao local reservado a cada escola. Ele afirmou que, uma vez que o presidente de cada escola assina o recebimento dessas pulseiras, elas passam a ser de responsabilidade da agremiação e não mais da Liga.
"Se ele [Tiago] estava na mesa da diretoria e com a pulseia branca [da Império], era porque ele era convidado da Império", afirmou. "Não tinha pulseira a mais. Se alguma se perde, a escola perde uma cadeira."
A Império de Casa Verde afirmou que o invasor da área não fazia parte da escola e que a pulseira que recebeu pode ter sido extraviada.
Presos
O presidente afirmou também que nenhum dos dois presos após o tumulto durante a apuração consta nas atas da diretoria das escolas às quais foram associados.
Tiago Ciro Tadeu Faria, que invadiu a área dos jurados, foi associado à direção da Império de Casa Verde. Cauê Santos Pereira, suspeito de ter ajudado na invasão, foi associado à Gaviões da Fiel. Eles vão ser autuados pelos crimes supressão de documento e dano qualificado.
A Liga afirmou também que vai esperar o resultado final do inquérito iniciado pela Polícia Civil para investigar o tumulto antes de punir as escolas. Pode haver rebaixamento, suspensão ou a exclusão da escola do Carnaval.
Segurança
Segundo Paulo Sérgio, a segurança privada contratada pela Liga contava com 120 homens. Ele afirmou não saber quem convocou a polícia que cuidou da segurança pública do lugar.
"Não sei porque os policiais não impediram o incidente. Isso eu também quero saber. Os únicos que tentaram fazer algo eram os nossos seguranças."
Ele afirmou que a presença dos policiais na apuração não o incomoda. "Quanto mais segurança melhor."
Tumulto e jurados
Um dos motivos para o tumulto da terça-feira teria sido uma divergência em relação à substituição de dois jurados no corpo do júri. André Vicente, jurado do quesito Samba-Enredo, teria pedido para ser suplente ao invés de julgador principal; em seu lugar entrou David Sead. Daniel Ganen, jurado do quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira, teria sido convidado para julgar o Grupo de Acesso do Rio de Janeiro e foi substituído por Marcos Malaguia.
Paulo Sérgio explicou que após o desfile houve uma reunião entre as escolas para decidir se as notas dos suplentes seriam válidas. Após votação, segundo o presidente, a maioria das escolas concordou com a mudança, que teria sido aprovada por oito votos a seis. A Império de Casa Verde, segundo o presidente, teria concordado com a mudança.
As escolas que votaram contra teriam sido: Rosas de Ouro, Camisa Verde e Branco, Mancha Verde, Acadêmicos do Tucuruvi, Vai-Vai e Mocidade Alegre.
Questionado sobre se teria ocorrido um acordo entre escolas e a Liga para que nenhuma agremiação fosse rebaixada ao Grupo de Acesso após a substituição dos jurados, Paulo Sérgio negou. "Não tem acordo nenhum. A Liga trabalha com o regulamento."
Gaviões da Fiel
O presidente informou que não há intenção de eliminar as escolas de samba que têm ligação com torcidas de times de futebol.
Ele disse também que não há como afirmar com certeza que a Gaviões da Fiel foi a responsável pelo incêndio dos carros alegóricos da Pérola Negra que ocorreu após a interrupção da apuração. Segundo o presidente, havia pessoas de muitas escolas na multidão que saía do Sambódromo.
Paulo Sérgio afirmou que já está provado que a Gaviões não iniciou o tumulto ocorrido após a invasão.
'Backup' de cédulas
Paulo Sérgio afirmou que a entidade não pretende fazer nenhum tipo de "backup" (cópia de segurança) das cédulas com as notas do júri do Carnaval. Segundo ele, qualquer cópia destes documentos poderia facilitar o vazamento das notas, prejudicando a apuração.
Apesar da destruição de algumas destas cédulas ocorrida após a invasão da área dos jurados, o presidente da Liga defende que as notas estão bem protegidas.
Paulo Sérgio explicou que cada cédula possui um código de barras, uma marca d'água e mais sete dispositivos de segurança. O jurado chega à cabine de votação escoltado pela polícia e lá pega a cédula para votar. Quando termina, ele deixa a cabine também escoltado e entrega o envelope lacrado com as cédulas à polícia. Este envelope é levado em uma viatura ao Batalhão Tobias Aguiar, onde é guardado até o momento da apuração.