Washington, 15 mai (EFE).- As observações de Marte feitas pela
sonda Mars Reconnaissance Orbiter revelaram que a crosta e o manto
superior de Marte são mais rígidos e frios do que se pensava,
informou hoje o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa.
A descoberta sugere a existência de água em forma líquida sob a
superfície, possibilitando a existência de organismos vivos nesse
ambiente que poderiam viver em zonas mais profundas do que poderia
se suspeitar, explicou o organismo da Nasa em comunicado.
"A rochosa superfície de Marte não cede sob o peso da camada de
gelo do pólo norte", declarou Roger Phillips, cientista do Instituto
Southwest de Pesquisas em um relatório publicado hoje pela revista
"Science".
"Isto faz com que o interior do planeta seja muito mais rígido e,
portanto mais frio do que achávamos antes", afirmou.
A sonda Phoenix da Nasa aterrissará no dia 25 deste mês em uma
zona próxima ao pólo norte marciano para estudar a água que se
encontra sob a superfície do planeta, assim como para analisar sua
estrutura geológica.
"Nas nossas primeiras análises dentro da calota polar usando o
radar do Mars Reconnaissance Orbiter podemos ver claramente
formações de material congelado que traçam a história climática de
Marte", explicou Jeffrey Plaut, cientista do JPL, acrescentando que
"o radar abriu um novo caminho para estudar o passado de Marte".
O comunicado do JPL revelou que as imagens enviadas pelo Mars
Reconnaissance Orbiter mostram um limite plano entre a camada de
gelo e a crosta rochosa.
Na Terra o peso de uma camada de gelo similar teria causado um
deslocamento dessa superfície e o fato de que isso não tenha
ocorrido em Marte significa que sua camada exterior, ou litosfera,
deve ser muito grossa e fria, manifestou o JPL.
"A litosfera de um planeta é a parte rígida. Na Terra, a
litosfera é a parte que se racha durante um terremoto", explicou
Suzanne Smrekar, subdiretora científica do projeto do Mars
Reconnaissance Orbiter do JPL.
"A capacidade de seu radar de ver através da camada de gelo e
determinar que não existe uma deformação da litosfera nos dá pela
primeira vez uma idéia das temperaturas no interior de Marte",
acrescentou.
Segundo o JPL, a descoberta de que a litosfera marciana é muito
mais grossa significa que a água líquida debaixo da superfície teria
de estar em zonas muito mais profundas e onde as temperaturas sejam
propícias para o degelo.