Londres, 4 jul (EFE) - A geração Facebook, MySpace e outras redes
de relacionamentos sociais é incapaz de amizades duradouras e corre
um grave risco de comportamento compulsivo, segundo um especialista
do West London Mental Health Trust.
Os adolescentes nascidos a partir de 1990 não conhecem um mundo
no qual ainda não era possível navegar pela internet e podem ter,
portanto, uma visão distorcida da realidade e de sua própria
identidade, afirmou o psiquiatra Himanshu Tyagi na reunião anual do
Real Colégio de Psiquiatras do Reino Unido.
Ele se referiu a uma recente onda de suicídios de adolescentes em
Bridgend, no Reino Unido, e explicou que os suicidas tinham em comum
o fato de utilizar a internet para se comunicar, segundo informa
hoje o jornal "The Daily Telegraph".
"É um mundo no qual tudo acontece muito rápido, em que tudo muda
continuamente e no qual basta clicar com o mouse do computador para
colocar fim a uma relação", disse o psiquiatra.
"Um mundo no qual uma pessoa pode apagar seu próprio perfil se
não gostar dele, e mudar num instante sua identidade por outra mais
aceitável", acrescentou Tyagi.
Segundo o especialista, "as pessoas acostumadas à velocidade das
relações sociais na internet podem achar monótono o mundo atual, o
que poderia levá-las a comportamentos mais extremos na busca de
excitações".
"Quando não se vê a expressão da outra pessoa, sua linguagem
corporal ou não se ouve as sutis alterações na voz, é lógico que
muda a forma de perceber essa interação", acrescentou Tyagi.
Ele reconheceu, no entanto, que o mundo virtual tem também suas
vantagens, como a não discriminação - é um mundo no qual a riqueza,
a raça e o sexo têm menor importância- e a perda de fronteiras
geográficas.
"Ninguém é um pária na rede", disse o psiquiatra, segundo o qual
a internet contribui para eliminar, em grande medida, as hierarquias
do mundo real.