A educação sexual deveria ser obrigatória para crianças a partir dos quatro anos de idade, afirmam duas importantes ONGs de saúde sexual da Grã-Bretanha. As organizações Family Planning Association e Brook afirmaram ao programa Newsbeat, da BBC Radio 1, que são necessários mais esforços para reduzir o índice de abortos e infecções sexualmente transmissíveis entre os adolescentes.
O argumento das ONGs é que a educação gradual, iniciada na infância, ajudaria as crianças a não se apressarem para iniciar a vida sexual quando ficarem mais velhas. "Todas as provas indicam que, quando começam a ter educação sexual e a aprender sobre relacionamentos cedo, antes da puberdade, antes de sentirem atração sexual, os adolescentes começam a vida sexual mais tarde", disse Simon Blake, diretor da ONG Brook. "Além disso, eles tendem a usar contraceptivos e a praticar o sexo seguro", afirmou.
As ONGs acreditam que crianças de quatro anos de idade poderiam aprender o nome de algumas partes do corpo e algumas idéias básicas sobre diferentes tipos de relacionamento.
Falhas
De acordo com as ONGs, a educação básica que as crianças recebem nas aulas de ciências nas escolas não aborda o tema com profundidade. Elas defendem que educação sexual seja incluída no currículo das escolas britânicas, ao lado de outras disciplinas obrigatórias como matemática ou inglês - o que já acontece na Irlanda do Norte.
O Departamento de Infância, Escola e Família da Grã-Bretanha (DCSF, na sigla em inglês), afirmou que está fazendo uma revisão da distribuição da educação sexual nas escolas do país. De acordo com o DCSF, a educação sexual eficiente é essencial para que os jovens façam escolhas saudáveis e seguras sobre suas vidas e previnam a gravidez precoce e as doenças sexualmente transmissíveis.
"Muitos jovens acabam tendo relações sexuais porque eles querem saber o que é, porque estão bêbados ou porque o parceiro está bêbado", disse Blake. "Isso não é bom o suficiente para os jovens. Temos que ter expectativas maiores para eles, para que eles mesmos tenham expectativas maiores sobre si", afirmou.