Emilio J. López
Miami, 19 ago (EFE) - Os habitantes do centro e do sul da Flórida
(Estados Unidos) respiraram hoje aliviados ao comprovarem que a
tempestade "Fay" não se transformou em furacão e se limitou a
provocar tempestades e rajadas de vento em sua passagem para a costa
leste do país.
A tempestade, que deixou Cuba na segunda-feira com ventos máximos
sustentados de aproximadamente 95 km/h, partiu em direção à Flórida
e tudo indicava que se transformaria em um furacão de categoria um,
de um máximo de cinco na escala Saffir-Simpson, antes de chegar à
costa sudoeste do estado.
No entanto, "os ventos presentes nos níveis altos da atmosfera
impediram que a tempestade tropical se intensificasse", explicou
hoje à Agência Efe Karina Castillo, meteorologista do Centro
Nacional de Furacões (NHC, em inglês) dos Estados Unidos.
Segundo Castillo, esse foi, sem dúvida, "um dos fatores que
contribuiu para que 'Fay' não se fortalecesse" antes de atingir a
costa oeste da Flórida, onde mais de 50 mil residências situadas ao
sul do estado se encontram hoje sem eletricidade.
No total, cerca de 58 mil casas permanecem sem energia elétrica,
e esta quantidade pode aumentar, já que a tempestade está
atravessando o território e afetará outras regiões, disse Mayco
Villafana, porta-voz da Flórida Power & Light (FPL), a maior empresa
de energia da Flórida, que atende a 35 condados.
Villafana afirmou que o condado de Collier, por onde a tempestade
entrou, é o mais afetado pela falta de energia elétrica.
"Não foi como na temporada de furacões de 2004 e 2005 e os danos
causados por 'Fay' foram muito menos graves", disse Villafana.
A FPL espera poder restabelecer o serviço elétrico entre hoje e
amanhã.
Em sua passagem pela Flórida, "Fay" está causando fortes
precipitações, inundações e tornados isolados, como o registrado no
condado de Palm Beach, enquanto seus ventos máximos sustentados se
mantenham a cerca de 95 km/h, embora seja esperado um progressivo
enfraquecimento.
No entanto, segundo o NHC, com sede em Miami, "Fay" poderia se
fortalecer depois que deixar a Flórida, amanhã, pela costa leste e
ingressar em águas do Atlântico.
Até o momento, não houve vítimas mortais na Flórida, embora em
Naples, no litoral sudoeste, tenha se registrado um acúmulo de
destroços e de árvores derrubadas nas ruas, por causa das intensas
chuvas.
"Fay", que cruzou a região de Florida Keys na segunda-feira sem
causar nenhum dano considerável, tocou terra esta madrugada no mesmo
lugar que o furacão "Wilma", de categoria três, em 2005: em Cabo
Romano, ao sul da cidade de Naples.
As maiores tragédias se registraram nas ilhas caribenhas do
Haiti, Santo Domingo e Jamaica, onde "Fay" causou 14 mortes em sua
passagem.
No Haiti, os dados oficiais, que mencionam sete mortos, não
incluem os 40 passageiros desaparecidos de um ônibus que tentava
atravessar as águas do rio Glace, na região de Beaumont (sudoeste).
"Fay", que cruzou Cuba do sul ao norte na madrugada de segunda,
não deixou vítimas nem grandes destroços na ilha.
O governador da Flórida, Charlie Crist, tinha declarado no sábado
passado estado de emergência diante da possibilidade de a tempestade
se fortalecer e se transformar em furacão antes de chegar à costa
americana.
Crist afirmou que contava com nove mil integrantes da Guarda
Nacional disponíveis diante da iminente chegada de "Fay", assim como
com 20 caminhões carregados de lonas impermeáveis, 200 com água
engarrafada e outros 53 que transportavam alimentos para sua
distribuição, caso fosse necessário.