Sonia Osorio.
Miami, 28 ago (EFE).- A tempestade tropical "Gustav" ameaça se
transformar em um poderoso furacão, após sua passagem por Jamaica e
Cuba, e está previsto que, na próxima terça-feira, atinja a
Louisiana, nos Estados Unidos, três anos depois da devastação
causada pelo ciclone "Katrina".
"Gustav", que deixou pelo menos 33 mortos no Haiti e na República
Dominicana, chega hoje à Jamaica possivelmente como um furacão de
categoria um ou dois, níveis mínimos na escala de intensidade
Saffir-Simpson de um máximo de cinco.
Entretanto, quando atingir o Golfo do México estará mais forte,
até se transformar em um perigoso furacão de categoria três com
ventos máximos sustentados entre 178km/h e 209 km/h.
"As previsões indicam que poderia chegar a categoria três no
domingo sobre as águas do Golfo do México. Será um furacão intenso",
disse hoje à Agência Efe Gladys Rubio, meteorologista do Centro
Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) americano.
"As condições serão favoráveis sobre o noroeste do mar do Caribe,
onde a temperatura da água é de 26,5 graus centígrados", explicou.
As águas quentes são um dos fatores que fortalecem as tempestades
e os furacões.
Os estados do litoral do golfo observam com pânico o avanço de
"Gustav", pois a região foi devastada pelo furacão "Katrina" em 29
de agosto de 2005.
O "Katrina" devastou os estados do litoral do golfo com ventos de
209 km/h e causou graves inundações em Nova Orleans, em uma das
maiores tragédias ocorridas nos EUA, na qual morreram 1.833 pessoas
e houve perdas de aproximadamente US$ 80 bilhões, segundo um
relatório do NHC.
Deste número de mortes causadas pelo furacão, pelo menos 1.577
foram no estado da Louisiana, 238 no Mississippi, 14 na Flórida e
dois na Geórgia e no Alabama.
O furacão "Katrina" é considerado o ciclone que mais causou
prejuízos aos EUA e um dos cinco mais matou na história do país.
Segundo Rubio, a atual trajetória de "Gustav" indica que ele
atingiria algum lugar entre Louisiana e Texas. Porém, esta previsão
ainda pode mudar.
No entanto, as previsões de computador a cinco dias apontam
"Gustav" chegando a algum local entre Nova Orleans e Morgan City, na
Louisiana.
Rubio advertiu que os modelos a longo prazo são menos confiáveis
e que ainda é muito cedo para dizer onde ele chegará com mais força.
Independentemente do lugar, Gladys Rubio enfatizou a importância
de a população dos estados do Golfo e do noroeste do mar do Caribe,
incluindo o oeste de Cuba e a península de Iucatã, estar atenta à
futura trajetória de "Gustav".
Além de "Gustav", apareceu outra ameaça sobre a Flórida, já que o
NHC previu que, a partir de domingo, a oitava tempestade tropical da
temporada, "Hanna", que se formou hoje no Atlântico, afetará à costa
leste do estado, embora ainda seja cedo para confirmar sua
trajetória.
O avanço de "Gustav" em direção ao Golfo, além de pôr em alerta
às autoridades americanas, fez subir hoje o preço do Petróleo
Intermediário do Texas (WTI, leve) para US$ 120 o barril na Bolsa
Mercantil de Nova York (Nymex). Os investidores temem que a produção
da commodity na região seja prejudicada pela passagem do furacão.
Quando "Gustav" deixar a Jamaica - após afetar também às ilhas
Cayman, ele partirá rumo ao oeste de Cuba, aonde chegará no sábado.
A província cubana de Granma está sob alerta de tempestade
tropical (passagem em 36 horas), e o NHC advertiu que a população do
centro e do oeste de Cuba deve prestar muita atenção ao avanço de
"Gustav".
Na Jamaica, centenas de turistas fugiram da ilha, trabalhadores
das plataformas de extração de petróleo foram evacuados, os portos
estão fechados e as escolas suspenderam suas atividades.
A tempestade está causando fortes chuvas no país e as autoridades
temem grandes inundações, sobretudo, nas regiões baixas do litoral
nordeste.
O Escritório de Administração de Desastres, Prevenção e
Emergências (ODPEM, na sigla em inglês) está sob alerta em nível
nacional diante do aviso de furacão (passagem em 24 horas) que está
presente na Jamaica.
O Exército dispôs pessoal e equipes, incluindo aeronaves, para
prestar socorro imediatamente em operações de busca e resgate.
Enquanto isso, os cidadãos enchem os supermercados para se
abastecer de alimentos, água e outros produtos necessários para
enfrentar a passagem de "Gustav".