(Atualiza com dados da Jamaica e do NHC)
Sonia Osorio.
Miami, 28 ago (EFE).- A tempestade tropical "Gustav" ameaça se
transformar em um poderoso furacão, após sua passagem por Jamaica e
Cuba, e está previsto que, na próxima terça-feira, atinja a
Louisiana, nos Estados Unidos, três anos depois da devastação
causada pelo ciclone "Katrina".
"Gustav", que deixou pelo menos 33 mortos no Haiti e na República
Dominicana, chegou hoje à Jamaica possivelmente com ventos máximos
sustentados de 110km/h e fortes chuvas e fez mais uma vítima.
Um homem de aproximadamente 50 anos - mas que ainda não foi
identificado - morreu após ser derrubado de uma árvore pelos fortes
ventos da tempestade enquanto colhia frutas e fraturar o pescoço
após a queda, informou a polícia.
Ele foi levado para um hospital de Manchester, no centro do país,
onde morreu.
Está previsto que, na sexta-feira, "Gustav" se transforme
novamente em um furacão de categoria um ou dois, níveis mínimos na
escala de intensidade Saffir-Simpson de um máximo de cinco.
"Gustav", o terceiro ciclone da temporada de furacões no
Atlântico, chegou na terça-feira ao sudoeste do Haiti com ventos de
150 km/h.
Entretanto, quando atingir o Golfo do México estará mais forte,
até se transformar em um perigoso furacão de categoria três com
ventos máximos sustentados entre 178km/h e 209 km/h.
"As previsões indicam que poderia chegar a categoria três no
domingo sobre as águas do Golfo do México. Será um furacão intenso",
disse hoje à Agência Efe Gladys Rubio, meteorologista do Centro
Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) americano.
"As condições serão favoráveis sobre o noroeste do mar do Caribe,
onde a temperatura da água é de 26,5 graus centígrados", explicou.
As águas quentes são um dos fatores que fortalecem as tempestades
e os furacões.
Os estados do litoral do golfo observam com pânico o avanço de
"Gustav", pois a região foi devastada pelo furacão "Katrina" em 29
de agosto de 2005.
O "Katrina" devastou os estados do litoral do golfo com ventos de
209 km/h e causou graves inundações em Nova Orleans, em uma das
maiores tragédias ocorridas nos EUA, na qual morreram 1.833 pessoas
e houve perdas de aproximadamente US$ 80 bilhões, segundo um
relatório do NHC.
Deste número de mortes causadas pelo furacão, pelo menos 1.577
foram no estado da Louisiana, 238 no Mississippi, 14 na Flórida e
dois na Geórgia e no Alabama.
O furacão "Katrina" é considerado o ciclone que mais causou
prejuízos aos EUA e um dos cinco mais matou na história do país.
Segundo Rubio, a atual trajetória de "Gustav" indica que ele
atingiria algum lugar entre Louisiana e Texas. Porém, esta previsão
ainda pode mudar.
No entanto, as previsões de computador a cinco dias apontam
"Gustav" chegando a algum local entre Nova Orleans e Morgan City, na
Louisiana.
Rubio advertiu que os modelos a longo prazo são menos confiáveis
e que ainda é muito cedo para dizer onde ele chegará com mais força.
Independentemente do lugar, Gladys Rubio enfatizou a importância
de a população dos estados do Golfo e do noroeste do mar do Caribe,
incluindo o oeste de Cuba e a península de Iucatã, estar atenta à
futura trajetória de "Gustav".
Além de "Gustav", apareceu outra ameaça sobre a Flórida, já que o
NHC previu que, a partir de domingo, a oitava tempestade tropical da
temporada, "Hanna", que se formou hoje no Atlântico, poderia se
transformar no quarto furacão da temporada e afetar a costa leste do
estado.
Apesar do fortalecimento de "Gustav" e do perigo que isto
representaria para a produção petrolífera no Golfo do México, na
Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o preço do petróleo do
Petróleo Intermediário do Texas (WTI, leve) caiu US$ 2,56 e fechou a
US$ 115,59 por barril.
Quando "Gustav" deixar a Jamaica - após afetar também às ilhas
Cayman, ele partirá rumo a oeste de Cuba, aonde chegará no sábado.
O Instituto de Meteorologia cubano anunciou hoje que "Gustav" se
intensificará e chegará nesta sexta-feira com força de furacão ao
sul do país.
O mesmo órgão emitiu um aviso de ciclone às 18h local (19h,
Brasília). Nessa hora, o centro da tempestade tropical estava em
18,1 graus de latitude norte e 76,7 de longitude oeste, a apenas 25
km norte-nordeste de Kingston, capital da Jamaica, e a 215 km a
sudeste de Cabo Cruz, em Granma (Cuba).
O aviso recomenda que o alerta seja mantido nas províncias de
Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo, onde ainda haverá intensas
chuvas, ressacas e inundações, e "de maneira especial durante os
próximos dias" na região oeste da ilha.
Os cubanos se sentiram aliviados na manhã da quinta-feira, quando
se soube que "Gustav", após passar por Haiti e República Dominicana,
tinha mudado sua direção para o sudeste, indo para a Jamaica e se
afastando da ilha.
Porém, o chefe de previsões do Instituto de Meteorologia, José
Rubiera, pediu que se moderasse o otimismo, pois não é a primeira
vez que um ciclone retorna a Cuba após passar pela Jamaica.
O Governo do país emitiu uma alerta de furacão (passagem em 36
horas) para as províncias de Isla de Juventud, Pinar del Río e
Havana, informou o NHC em seu boletim das 18h (Brasília) de hoje.
Também estão sob alerta de tempestade tropical as províncias de
Matanzas e de Granma (passagem em 24 horas).
Na Jamaica, centenas de turistas fugiram da ilha, trabalhadores
das plataformas de extração de petróleo foram evacuados, os portos
estão fechados e as escolas suspenderam suas atividades.
A força dos ventos já fez voar muitos tetos em St. Mary, Portland
e St.Thomas, no leste da ilha.
O Governo jamaicano informou que centenas de famílias foram
transferidas para abrigos diante da destruição causada nas
residências da região.
O Escritório de Administração de Desastres, Prevenção e
Emergências (ODPEM, na sigla em inglês) está sob alerta em nível
nacional e o Exército está pronto para prestar socorro imediatamente
em operações de busca e resgate.
Enquanto isso, os cidadãos enchem os supermercados para se
abastecer de alimentos, água e outros produtos necessários para
enfrentar a passagem de "Gustav".