Washington, 29 ago (EFE).- A sonda espacial Opportunity deixou a
cratera Victoria em Marte aproveitando o rastro que deixou ao entrar
nele há um ano para estudar as rochas de suas encostas, informou
hoje a Nasa (agência espacial americana).
A "Opportunity já está em terreno plano", disse Paolo Bellutta,
um dos cientistas da missão no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL,
na sigla em inglês) da agência espacial americana.
Bellutta acrescentou que o veículo de seis rodas independentes
utilizou na quinta-feira o rastro de quase sete metros que deixou há
quase um ano quando abandonou a beira da cratera e desceu sobre uma
de suas encostas.
Esse foi o capítulo final de uma série de manobras nas quais o
veículo se deslocou por cerca de 50 metros e que duraram
aproximadamente um mês.
John Callas, diretor do projeto científico da "Opportunity" e de
sua gêmea "Spirit", anunciou sua "próxima aventura sobre as
planícies de Meridiani, nas imediações da cratera Victoria".
"Entramos sem problemas na cratera, completamos nossa missão, e
saímos sem problemas", acrescentou satisfeito com o sucesso do
veículo explorador.
Na semana passada, a Nasa anunciou em comunicado que agora a
"Opportunity" iniciará a análise das rochas próximas a Victoria,
muitas das quais foram lançadas à atmosfera do planeta com o impacto
do objeto que criou a cratera.
"Nossa experiência nos diz que há muita diversidade nessas
rochas" e seu exame será importante para compreender a geologia da
região, disse Scott McLennan, da Universidade Estatal de Nova York,
e um dos membros da equipe científica.
A sonda "Opportunity" entrou na cratera no dia 11 de setembro de
2007, um ano após analisar as bordas da Victoria, que tem um
diâmetro de cerca de 800 metros.
Ao contrário da "Spirit" que perdeu o uso de uma de suas rodas,
as seis da "Opportunity" trabalham perfeitamente e funcionaram 10
vezes mais do que se tinha previsto, informou o JPL.
A "Spirit" retomou seus trabalhos de prospecção na semana
passada, após sobreviver ao inclemente inverno marciano, embora só
poderá se movimentar uma vez que aumentar a recepção de luz solar
nos painéis que lhe proporcionam energia, disse o JPL.
"Ambos os veículos mostram sinais de envelhecimento, mas ainda
são capazes de realizar prospecção científica e descobrimentos",
sustentou Callas.