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Quinta-feira, 23 de outubro de 2014

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Aparelho nos dentes, antes motivo de piada, agora é moda

ALESSANDRA OGGIONI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Silvia Zamboni/Folhapress
Rafaella, 12, e o irmão Rodrigo, 13, acham que vale a pena usar aparelho nos dentes
Rafaella, 12, e o irmão Rodrigo, 13, acham que vale a pena usar aparelho nos dentes


Sorriso metálico virou moda. Aparelhos para os dentes têm borrachas coloridas e em forma de bichos, são feitos com material que brilha no escuro e "glitter".

Com tanta novidade para atrair crianças, ferros na boca não são mais motivo de piada, como eram há pouco tempo. Além de acessórios fashion (da moda), o aumento do uso fez com que os aparelhos não parecessem estranhos.



Antes, eles não eram tão comuns. O tratamento era mais caro e acreditava-se que era preciso esperar os dentes permanentes para usá-los. Essa ideia mudou. "Os dentes são como planta. Quando nasce torta, é mais fácil corrigir antes de que cresça", diz Inês Verginia Zampieri Bof, especialista em ortodontia (correção dos dentes) infantil.

O Brasil começou a produzir aparelhos, o que os tornou mais baratos (antes, vinham de outros países).

Silvia Zamboni - 14.fev.12/Folhapress
Mirela, 4, usa aparelho para corrigir a mordida
Mirela, 4, usa aparelho para corrigir a mordida


Mordida

A Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial calcula que, de cada 10 crianças entre seis e dez anos, 6 precisam corrigir dentes ou mordida errada -- é como se a boca fosse uma caixa, em que os dentes de cima são a tampa e precisam se encaixar direito na parte de baixo.

Com cerca de três anos, a criança já pode passar por um especialista.

Mirela Boralli Arsuffi usa aparelho móvel há seis meses para acertar a mordida. Como só tem quatro anos de idade, o tratamento deve ser rápido e acabar em mais dois meses. "Essa correção deve ser feita o mais cedo possível", diz Cássio José Fornazari Alencar, especialista em odontopediatria da Universidade de São Paulo.

É bonitinho... mas dá trabalho!

Rafaella Cassasa, 12, ficou com medo de que os amigos não gostassem do novo visual. Mas eles aprovaram, principalmente os elásticos coloridos. Seu irmão, Rodrigo, 13, reclama que dá trabalho limpar os ferros. Mas, após cinco anos com aparelho, acha que o esforço vale para ter um sorriso mais bonito.

Ricardo Cruz, presidente da Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial, diz que, hoje, a maior parte das crianças que vai ao seu consultório quer arrumar os dentes. Caio Henrique Nunes, 10, por exemplo, tinha os dentes de cima muito para a frente. Há um ano, usa o fixo (ferros colados nos dentes). "Demoro uns 15 minutos para limpar e passar fio dental, mas eu não reclamo. Fiquei mais bonitinho."

Ana Paula Camolez, 7, usa o móvel --aquele que é tirado para comer e escovar os dentes. A limpeza é fácil. O problema é o risco de perder. "Uma vez, embrulhei o aparelho no guardanapo e ele foi parar no lixo."

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