Bruxelas, 13 mai (EFE).- A corrupção é o principal obstáculo para
o comércio entre a União Européia e a América Latina, seguida dos
custos de transporte e da falta de logística, segundo uma pesquisa
realizada em conjunto pelas câmaras de comércio de ambas as regiões.
O relatório, publicado hoje, às vésperas da 5ª Cúpula América
Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês), que será
realizada entre os dias 15 e 17 de maio, em Lima, e analisa os
impedimentos mais freqüentes para o comércio e o investimento em
ambas as regiões.
Cerca de 78% dos empresários europeus indagados afirmam sofrer as
conseqüências das práticas de corrupção em suas relações comerciais
com a América Latina, um problema que também preocupa muito os
diretores das companhias latino-americanas.
Os níveis mais baixos de percepção deste problema se dão no
Chile, onde 55% dos empresários consideram a corrupção como um
problema.
Em segundo lugar, se encontram os custos do transporte e da falta
de uma logística adequada, que prejudicam especialmente as
companhias européias que operam na América Central, no México e no
Chile.
Segundo destaca o relatório, além do impedimento representado
pela ampla distância entre ambos os continentes, o nível dos
serviços e das infra-estruturas básicas "não são suficientemente
eficientes".
Por último, a dificuldade dos trâmites alfandegários figura como
terceiro obstáculo mais freqüente e especialmente prejudicial para
as pequenas e médias empresas de ambos os continentes, que em sua
maioria não sabem como apresentar queixas relacionada à cobrança de
tarifas excessivas.
Além disso, as companhias sul-americanas reclamam das regras
fitossanitárias para o comércio e dos trâmites lentos e custosos
para o registro de novos produtos.
Outros obstáculos citados pelos empresários foram os sistemas
legais imprevisíveis e as restrições aos investimentos estrangeiros.
No lado positivo, "os laços culturais e a proteção da propriedade
intelectual" são os fatores que mais favorecem as trocas econômicas.
A pesquisa foi realizada entre 805 empresas, das quais 67% eram
sul-americanas e as demais européias, e complementa os resultados de
outra consulta, publicada em fevereiro, sobre os obstáculos para o
comércio entre a UE e a América Central.