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Sexta-feira, 05 de DEZEMBRO de 2008

04/07/2008 - 20h30

Resultados podem ser a luz no fim do túnel e trazer recuperação à bolsa

SÃO PAULO - Quando se pensa que a trajetória declinante do Ibovespa finalmente encontrará um piso, o índice surpreende com novas desvalorizações. Assim foi a primeira semana de julho, quando o principal índice do mercado de ações brasileiro fechou decrescido em quase 8% perante a semana anterior, mais uma vez, impactado pelo forte mau humor dos investidores no plano externo.

Neste cenário, "fica muito difícil traçar projeções minimamente apuradas", afirma Christiam Klent, analista da Solidus Corretora. Ainda mais quando as tensões externas encontram reflexos também no âmbito doméstico. Ainda que a semana que se projeta à frente traga poucos eventos de peso lá fora, o mesmo não pode ser dito acerca da pauta econômica interna.

"Temos importantes índices inflacionários previstos, como o IGP-DI e o IPCA de junho, que podem e devem mexer com o andamento dos mercados de juros futuros e câmbio", afirma Alexandre Marques, analista da Elite Corretora. Por falar em mercado cambial, este vem sendo outro foco de atenção dos investidores nos últimos tempos. Após ter atingido R$ 1,592, o dólar comercial voltou a operar em torno dos R$ 1,60.

Mas isso pode não se sustentar por muito tempo, na leitura de Rafael Ferri, analista da TBCS Corretora. "A divisa norte-americana deve voltar à sua tendência declinante, podendo buscar um suporte no patamar dos R$ 1,53", prevê.

Resultados podem trazer recuperação

Em meio a tanta volatilidade, uma luz parece surgir no fim do túnel: o início da temporada de divulgação de resultados corporativos. Se lá fora as incertezas em torno das instituições financeiras devem seguir presentes, por aqui um bom prognóstico de desempenhos é esperado. "Acreditamos que os fortes resultados domésticos possam, de alguma forma, amortecer a grande volatilidade internacional", afirmam os analistas do Unibanco, em linha com a leitura adotada por Ferri.

"Um leque de bons balanços contábeis deve ser a tônica desta temporada que se aproxima", afirma Ferri em suas perspectivas recheadas de otimismo. "Apesar de enxergar que qualquer melhora a essa altura seja uma tarefa aparentemente difícil, acredito que muitos papéis de primeira linha foram excessivamente penalizados nos últimos pregões", reitera.

Desta forma, o analista espera uma semana mais tranqüila à renda variável brasileira, com os bons fundamentos se sobrepondo aos ânimos exaltados dos mercados. E vai além: "o movimento de realização de lucros mais forte já ficou para trás, ainda mais com o Ibovespa atingindo os 59 mil pontos, que se apresenta como um interessante patamar de montagem de posições".

Alexandre Marques compartilha de expectativas similares às de Rafael Ferri. Para o analista, ainda que o Ibovespa tenha amargado forte derrocada na primeira semana de julho, ao menos, "conseguiu se segurar em torno dos 59 mil pontos". Todavia, Marques não descarta a cautela de suas projeções: "embora seja importante suporte" - referindo-se aos 59 mil pontos - "o cenário ainda é muito instável".

Dólar

compravenda%
Dólar comercial 2,5062,508+1,33
Dólar paralelo 2,252,5+11,11
Dólar turismo 2,322,64+5,6
Fonte: Reuters Outras cotações

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