Oeiras, 5 jul (Lusa) ? Os governos português e marroquino assinaram neste sábado um programa de cooperação que prevê a partilha do know-how de Portugal na exploração da energia eólica e o investimento de empresas portuguesas na construção de parques eólicos marroquinos.
O programa de cooperação no campo da política energética, centrado nas energias renováveis, foi assinado na 10ª Cúpula Luso-Marroquina, realizada neste sábado, no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, Portugal.
Segundo fonte do governo português, o Marrocos quer abrir seu mercado energético, diversificando as fontes de energia, e Portugal vai cooperar com a partilha do seu know-how e com o investimento na construção de parques eólicos no país magrebino.
Também foi assinado um programa no setor do turismo para o período entre 2008 e 2010 que prevê a "assistência para a reabilitação e a recuperação do patrimônio português no Marrocos com fins turísticos".
Na cúpula, em vez de se reuniram em seminários paralelos, 30 empresas portuguesas participaram em reuniões setoriais sobre energia, infra-estrutura, indústria e turismo com a presença de membros dos governos português e marroquino.
No final do encontro, o primeiro-ministro português, José Sócrates, disse aos jornalistas que os dois países iniciaram "uma nova cooperação no domínio da indústria automotiva", que consiste no fornecimento de componentes pelas empresas portuguesas para a indústria do Marrocos.
José Sócrates reiterou que as relações portuguesas com o Marrocos e o Norte da África são prioritárias para seu governo e destacou a evolução positiva das relações comerciais luso-marroquinas, alicerçadas em uma "excelente relação política".
"Nós temos empresas portuguesas no Marrocos que já ultrapassam uma centena e dão emprego a mais de 30 mil marroquinos", afirmou.
"Em 2006, as exportações portuguesas [para o Marrocos] subiram 22% e mantiveram o crescimento em 2007", apontou.
De acordo com José Sócrates, o relançamento da cooperação econômica entre Portugal e Marrocos assenta em quatro pontos: indústria automotiva, turismo, infra-estrutura e energia, "em particular as energias renováveis, como resposta à nova situação".
Também o primeiro-ministro marroquino, Abbas El Fassi, sublinhou o crescimento das trocas comerciais entre os dois países. Em relação ao setor energético, o líder afirmou que o Marrocos quer "diversificar as fontes de energia, tanto mais que o preço do petróleo se tornou insuportável".
Abbas El Fassi disse não encontrar nenhum assunto em que haja divergência entre os dois países e agradeceu ao governo português por ter ajudado seu país a conseguir "um estatuto avançado junto da União Européia".