Brasil Online

Busca
Terça-feira, 06 de JANEIRO de 2009

13/10/2008 - 02h43

Crise financeira pode afetar a escolha do Nobel de Economia

A atual crise financeira está despertando interrogações sobre a concessão do Prêmio Nobel de Economia, que deve ser anunciado nesta segunda-feira, depois que as amplamente premiadas teorias do liberalismo foram acusadas de terem causado a tempestade planetária.

"Creio que a crise levará a uma mudança fundamental na filosofia do prêmio. Temos visto que os mercados livres de grilhões podem ser um desastre", explicou Joseph Stiglitz, professor da universidade norte-americana de Columbia, vencedor do prêmio em 2001.

Desde sua primeira edição, em 1969, o prêmio foi entregue a economistas que trabalhavam em uma série de áreas, da macroeconomia à microeconomia, passando pelas pesquisas que derrubam as fronteiras entre a economia, a ciência política e a psicologia.

Entre as críticas mais freqüentes feitas ao prêmio, está a de que o comitê que o concede se centra demais no enfoque neoliberal da economia.

Atual crise

Teorias como as do norte-americano Milton Friedman, vencedor do prêmio em 1976, que ajudaram a alimentar a revolução política conservadora, estão sendo acusadas de abrir o caminho para o atual desastre.

Com sua convicção ferrenha da eficiência do setor privado e da racionalidade dos mercados, quando o governo não incomoda com regulações, essas teorias têm a sua parcela de culpa nos problemas atuais, ressaltam seus críticos.

"Os acontecimentos recentes apresentam a explicação empírico-causal de que os mercados não funcionam muito bem sozinhos", disse Stiglitz, antigo chefe economista do Bird (Banco Mundial), cujas duras críticas à instituição causaram a sua demissão em 2000.

Das 58 pessoas que receberam o Prêmio Nobel de Economia, 40 (69%) são americanas, enquanto mais de 70% trabalhavam em universidades dos EUA quando foram premiados.

A Universidade de Chicago --que deu o nome à "Escola de Chicago", seguidora de Friedman-- está especialmente representada no quadro de premiados, com 25 ganhadores do Nobel. "Houve um tempo em que brincávamos sobre o trem Estocolmo-Chicago", lembrou Stiglitz.

O presidente do comitê que outorga o prêmio, Bertil Holmlund, respondeu que, "as tendências políticas dos ganhadores do prêmio são muito variadas". "Alguns são claramente conservadores ou de direita, enquanto que outros são obviamente de esquerda, ou pelo menos do centro do espectro" político, disse à France Presse.

Mistura

Paul Sjoeblom, historiador e especialista econômico do Museu Nobel de Estocolmo, também destacou que o comitê havia se inclinado por uma "boa mescla" de diferentes campos, mas disse que os "neoclassicistas são a escola mais importante, sem dúvida alguma".

No entanto, "a atual crise financeira poderá levar a mudanças" nos mercados financeiros, e "não creio que isso não vá afetar o prêmio", considerou Sjoeblom.

Haakan Frisen, chefe analista do banco sueco SEB, se mostrou de acordo. "Ainda há pesquisas interessantes" no liberalismo econômico neoclássico, "mas é razoável esperar que haja algum tipo de reação", afirmou.

"Creio que o prêmio se abrirá para novas áreas", acrescentou, considerando que pode aumentar o interesse por questões de estabilidade macroeconômica ou pela teoria do caos, por exemplo.

Em qualquer caso, as mudanças chegarão nas próximas edições porque a crise, disse Holmlund, não afetou a decisão que será anunciada no dia 13 de outubro. "Definitivamente não terá conseqüência alguma a curto prazo", disse.

Dólar

compravenda%
Dólar comercial 2,2522,2560,00
Dólar paralelo 2,32,5+8,7
Dólar turismo 2,282,4-2,44
Fonte: Reuters Outras cotações

Enquete

Computando seu voto...
Carregando resultado

Total de votos: