Lisboa, 4 dez (Lusa) - O primeiro-ministro português, José Sócrates, se mostrou confiante que o Banco Central Europeu (BCE) continuará a baixar gradualmente as taxas de juro de referência, permitindo dar novo fôlego à economia européia.
As declarações de José Sócrates foram feitas após ter presidido no Centro Cultural de Belém a cerimônia de assinatura de protocolos de uma linha de crédito no valor de 1,6 bilhões de euros (R$ 4,9 bilhões).
No final do evento, Sócrates comentou a decisão do BCE de cortar em 75 pontos base a taxa de juro de referência, fixando-a nos 2,5% para enfrentar a crise - a redução mais forte da história em dez anos da instituição.
"Com esta decisão, as famílias podem esperar um alívio no pagamento das suas prestações de hipotecas bancárias no que diz respeito à habitação", disse o premiê luso.
"Estímulo"
O esforço do BCE, segundo Sócrates, para baixar as taxas de juro "é um grande estímulo para a economia européia resistir".
"A descida de hoje é muito significativa e não será a última vez que se desce. A estratégia do BCE sempre foi a de reduzir as taxas de referência de forma gradual. Ou seja, as descidas não são feitas todas de uma vez", declarou.
A decisão do BCE é o terceiro corte consecutivo das taxas diretoras, depois dos cortes de outubro e novembro de meio ponto percentual cada um, com efeitos a partir de 10 de dezembro.
A taxa diretora esteve em 2,5% entre fevereiro e abril de 2006. O corte anunciado nesta quinta foi superior às previsões da maioria dos analistas, que apontava para uma redução de apenas 50 pontos base, dado a política de redução gradual que tinha sido seguida até agora pela instituição liderada por Jean-Claude Trichet.
O Banco da Inglaterra anunciou também hoje uma baixa de um ponto percentual na sua taxa diretora para 2%, o nível mais baixo desde 1951.