A empresa de automóveis Fiat decidiu demitir 2 mil empregados de várias de suas unidades automobilísticas na Itália a partir das duas primeiras semanas de fevereiro, informou a empresa nesta quarta-feira.
A empresa vai demitir 1.200 pessoas de suas unidades automobilísticas de Turim, Orbassano e Volvera, e outras 800 do estabelecimento Powertrain de Mirafiori e Stura, acrescenta.
O sindicato autônomo de mecânicos Fismic declarou pouco depois do anúncio da Fiat que "a situação é preocupante. É necessário que as instituições locais organizem uma mesa de discussão para enfrentar a crise".
"É preciso encontrar o mais rápido possível a solução para conter as perdas dos salários dos trabalhadores", acrescentou.
O Fismic organizará nos próximos dias manifestações em nível nacional e pediu a adesão de outros sindicatos "para pedir ao governo que intervenha no setor".
No mês passado, o executivo-chefe da empresa, Sergio Marchionne, disse que a Fiat precisa encontrar um parceiro para continuar a existir em um mercado automobilístico mundial que passa por um momento de crise. "É preciso [produzir] ao menos entre 5,5 milhões e 6 milhões de carros [por ano para ter uma chance de fazer caixa]", disse Marchionne em entrevista ao periódico do setor automobilístico "Automotive News", segundo a agência de notícias Reuters. De acordo com ele, "a Fiat não está nem no meio do caminho."
Segundo ele, a indústria automotiva deve se consolidar nos próximos dois anos, deixando seis grandes empresas no mercado mundial, com a Fiat ligada a uma delas. "Não estamos sozinhos nisso. Precisamos nos associar de um modo ou de outro", afirmou. Ele, no entanto, não disse qual poderia ser o parceiro da Fiat.
Ele ainda reconheceu que pode perder o emprego nesse processo de consolidação. "Algumas pessoas vão perder seu direito de liderar (...) E estou incluído", afirmou.
O futuro da Fiat tem sido objeto de especulação entre analistas do setor, por ser vista como não suficientemente grande ou lucrativa para permanecer operando sozinha. "Considerando-se os grandes produtores, vamos acabar com uma empresa americana; uma alemã de expressão; uma franco-japonesa, talvez com uma divisão nos EUA; uma japonesa; uma chinesa; e uma outra européia em potencial", disse, prevendo a configuração do mercado no futuro.
Em novembro, no entanto, Marchionne disse que o Brasil "não está sofrendo uma crise" e que é preciso ser cauteloso para não confundir o país com o resto do mundo.
"Temos que ser cautelosos para não confundir o Brasil com o resto do mundo. O resto do mundo está num estado bem diferente", disse o presidente da Fiat.
Marchionne reconheceu que a crise mundial "certamente terá repercussões" na economia brasileira, mas, segundo ele, a estrutura da crise no Brasil é fundamentalmente diferente da de outros países, especialmente dos Estados Unidos.