MARÍLIA ROCHA
DE CAMPINAS
A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) suspendeu por seis meses cinco universitários que foram responsabilizados pela invasão da sede administrativa da moradia estudantil, em janeiro de 2011.
A decisão, tomada pelo reitor com base no relatório de uma comissão disciplinar, foi publicada no "Diário Oficial" do Estado no último dia 2 de fevereiro. Em nota divulgada na semana passada, a reitoria disse que houve depredação do patrimônio público.
A moradia estudantil fica fora do campus, no bairro Barão Geraldo. Em janeiro do ano passado, um grupo de universitários invadiu o espaço, que oferece 900 lugares, reivindicando mais vagas.
Ainda na nota, a Unicamp afirmou que os estudantes tiveram direito a "ampla defesa" e foram acompanhados por advogado no depoimento que prestaram à comissão.
Os estudantes questionam a decisão e dizem que irão recorrer. Para a aluna Bruna Santinho do curso de ciências sociais, que está entre os suspensos, a medida é arbitrária. Santinho também nega que houve depredação.
O DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Unicamp repudiou a suspensão. "a medida é autoritária, até por ser publicada nas férias, quando os estudantes não se reúnem para protestar", afirmou Gabriel Chaves, estudante de química e integrante do diretório.
Chaves disse que a reivindicação por mais moradia é legítima. "Em 1990, quando a universidade tinha 15 mil alunos, foram prometidas 1.500 vagas e construídas 900. Até hoje o número é esse, e são 36 mil alunos".
A universidade não questionou os números, mas disse que "nenhum aluno com renda per capita familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo deixou de ser atendido" pelo programa de moradia estudantil.