Madri, 26 jan (EFE).- Os espanhóis se mostraram hoje surpresos
ao ver dezenas de livros - de escritores como Jorge Volpi, Mario
Mendoza e Juan Bonilla - distribuídos em estátuas, cercas e bancos
do centro de Madri e ficaram em dúvida se poderiam levá-los ou não.
A cena se repetiu nos centros de outras quatorze cidades
espanholas, em uma iniciativa da editoria "Seix Barral" e de
leitores que integram o movimento de troca de livros "Bookcrossing".
Mais de mil exemplares de autores ganhadores do prêmio
"Biblioteca Breve" foram colocados à disposição do público.
A iniciativa acontecerá também hoje na capital mexicana e, nos
próximos dias, nas cidades de Buenos Aires, Rosario e Córdoba, na
Argentina.
O prêmio "Biblioteca Breve", que ao longo de sua história
prestigiou nomes como o peruano Mario Vargas Llosa, completa 50 anos
em 2008, e nada melhor que distribuir gratuitamente livros de
autores agraciados para comemorar a data.
Mais de 600 mil membros em diversos países praticam a troca de
livros.
Gratuitamente, os "bookcrossers" de todo o mundo registram seus
livros no site "www.bookcrossing.com" e depois os colocam em
qualquer lugar para que outra pessoa os encontre e possa desfrutar
de sua leitura.
Exemplares foram deixados em janelas, banco de parques, jardins,
estátuas de praças, entre outros lugares, hoje, em cidades como
Madri, Barcelona, Sevilha, Bilbao e Zaragoza, entre outras.
Muitas pessoas pegaram os livros, mas algumas, desconfiadas,
temiam levá-los. Outras, porém, já conheciam a iniciativa do
"Bookcrossing".
"Somos leitores e vorazes compradores de livros. Gostamos de nos
reunir, uma vez por mês, para trocarmos opiniões e recomendações de
obras", explicou à Agência Efe María Jesús Serrano, representante do
"Bookcrossing", enquanto distribuía cem exemplares pelos lugares
mais improváveis - como os pés de uma estátua - de uma praça em
Madri.
Em outras cidades espanholas, os livros foram repartidos da mesma
forma, e podem acabar em qualquer lugar do mundo.
Uma "bookcrosser" conta que encontrou um livro no aeroporto de
Paris e deixou-o em Madagascar. "O livro, ali, fazia mais falta",
lembrou hoje.