O mineiro
Humberto Werneck e o cearense
Xico Sá, colunista da
Folha de S.Paulo, fizeram nesta quinta-feira a mesa mais divertida da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), até agora. Com o tema "Conversa de Botequim", o encontro dos dois foi recheado de frases engraçadas, histórias divertidas, palavrões e muita gargalhada do público.
Confira o especial da Flip
O tema principal da conversa, intermediada por Paulo Roberto Pires, da Ediouro, era em torno do poeta, compositor e boêmio Jayme Ovalle (1894-1955), símbolo do modernismo carioca.
Werneck leu trecho do seu livro "O Santo Sujo A Vida de Jayme Ovalle", seguido por Xico Sá, que leu trechos de duas de suas obras, e roubou a cena com frases engraçadas e recheadas de pornografia.
Werneck contou algumas histórias contidas em sua biografia sobre o "santo da Ladeira" --como era conhecido o modernista Ovalle, e citou nomes como Fernando Sabino, Vinícius de Moraes e Mário de Andrade (1893-1945), entre tantos outros intelectuais de renome.
Em uma das histórias mais engraçadas, Werneck contou que Ovalle estava em um bar com um grupo de amigos, entre eles, um que usava um olho de vidro e, por hábito, sempre o tirava e o colocava em cima da mesa. Nisso, um dos colegas da mesa, pegou o olho [de vidro] e jogou dentro do copo de Ovalle. Todos da mesa viram, menos eles. De repente, ele [Ovalle] pega o copo para tomar seu uísque e diz: "Acho que vou pedir outro, esse aqui não tira o olho de mim."
Outros pontos divertidos da conversa dos dois foi a "nova gnomonia", divisão dos seres humanos em cinco tipos que virou febre entre intelectuais da época.
Xico Sá criticou jornalistas e disse que eles vivem como cães e disse que trabalhar em uma redação é uma "tentativa de romance para os jornalistas, que vivem tentando morrer".
Leia a seguir algumas frases do bate-papo entre Werneck e Xico Sá:
"Bebo muito e escrevo socialmente" (Xico Sá)
"Mário de Andrade tinha inveja das pessoas, eu sinto isso nele, certa inveja. Ele tinha inveja de não beber tanto. Ele escreveu Macunaíma, que é lindo, mas é chatíssimo" (Xico Sá)
"A existência embute a humilhação literária... não adianta escrever, tem de escrever um livro de capa dura. Não adianta a Gisele (Bündchen) ser gostosa, ela tem de escrever um livro" (Xico Sá)
"Havia uma classificação das pessoas que era feita pela largura do pescoço. Se você olhasse um pescoço fino, já sabia que tipo de personalidade aquele cara tinha. Se fosse grosso, sabia o tipo de reação que poderia ter [referindo-se à "nova gnomania]" (Humberto Werneck)
"O problema é quando a bebida não gosta de você. Aquela que você ama, você adora, e ela não gosta de você. Dizem, lá na França, que a bebida tem de ter nobreza. O que te derruba não é nobre, e a bebida derruba" (Xico Sá)
"Eu tenho inveja do Mário de Andrade, pelo o que ele fez, por ele ter tido dinheiro. Eu tenho ódio do Mário de Andrade. Ter ódio do Mário de Andrade é a nova construção nacional" (Xico Sá)