"O terror me intimida", disse ontem (4) em Paraty o escritor e quadrinista Neil Gaiman. Esbanjando bom humor e simpatia, o inglês afirmou que sempre foi fascinado por histórias de terror, mas que, em seus livros, o gênero é apenas um "tempero", nunca o prato principal. "Por isso não escrevo todo um romance ou graphic novel no gênero. Não quero passar oito meses ou um ano aí [numa história de terror]. O prato principal é uma mistura de várias outras coisas."
Gaiman participou ontem à tarde da mais concorrida entrevista coletiva da Flip. Ao final, os mais de 50 repórteres, fotógrafos e cameramen que lotaram a sala acompanharam o escritor até a saída. Alguns continuaram a conversa, muitos outros começaram a sacar livros e pedir autógrafos a Gaiman. Em seu blog, ele escreveu que pretende dar autógrafos a quem quer que esteja em Paraty.
Na entrevista, o escritor afirmou que, assim como o cinema, quadrinhos não são literatura nem aspiram a ser prosa. Para ele, são uma combinação específica de imagens e palavras.
O autor também comentou a pirataria pela internet. "O inimigo não é a idéia de que o livro esteja sendo lido de graça. E sim que ele não esteja sendo lido", disse Gaiman. "Nenhum de nós descobre seu escritor favorito comprando livros. E, sim, por meio de indicação de um amigo, de um livro que você toma emprestado de alguém"
Ídolo
O quadrinista, que participa de debate hoje, disse à Folha que quer ser o dramaturgo Tom Stoppard "quando crescer". "Ele é absolutamente lúcido, vive de acordo com aquilo que ele faz e ama, é afável, educado e um gênio. E insistiu em me pagar o almoço", afirmou Gaiman, 47.
"Ele tem um ótimo cabelo! Sempre tive muito respeito por ele. Não há muitas pessoas por aí que você pode apontar e dizer: "Aquele é o melhor dramaturgo da língua inglesa, quem sabe o melhor em qualquer língua que seja". Nós fizemos uma longa viagem de ônibus de São Paulo até Paraty, e ele é tão legal... Quero ser assim quando eu tiver a idade dele [71]."