"É como a rivalidade de Corinthians e Palmeiras", diz Milton Santana, produtor da festa junina de Caruaru, explicando a disputa entre Campina Grande e a cidade pernambucana pelo título de "maior São João do mundo".
Caruaru tem os mesmos 30 dias de festa, público de 1,5 milhão e ainda coleciona recordes: o Guinness Book registra o maior cuscuz do mundo, cozido num panelão de 3,20 metros de altura, e o maior pé-de-moleque, com 1,5 tonelada.
Assim como em Campina Grande, há um espaço principal, a Vila do Forró, com palcos, barracas, cidade cenográfica, 20 restaurantes e quadrilhas (fazematé uma de cachorros vestidos de caipira).
Mas só Caruaru tem, no dia 24, o grande desfile de bandas de pífanos (flautas de taquara) e bacamarteiros (tropas uniformizadas que homenageiam os santos disparando pólvora seca de rifles artesanais). Ou os festejos no Alto do Moura, bairro onde mais de mil artistas perpetuam a tradição da arte do barro, iniciada por Mestre Vitalino, e considerado pela Unesco o maior centro de artes figurativas da América Latina.
Tanta grandiosidade envolve, é claro, muito dinheiro. A festa custa R$ 6 milhões, divididos entre a prefeitura e os patrocinadores. Campina Grande também funciona assim. Quem quer mesmo se divertir vai às duas festas e desencana da disputa. Até porque, há dois anos, é a mesma produtora que comercializa e capta recursos para ambas.
Prova de que essa rivalidade, como no futebol, virou um grande negócio. Maior até que o fanatismo dos torcedores.
Caruaru fica a 132 km de Recife pela (duplicada) BR-232. A festa vai de 30 de maio a 10 de julho, no Parque de Eventos Luiz Gonzaga e em toda a cidade. Dominguinhos toca no dia 27 de junho. Mais informações no 81/3701-1533.
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