Traduzidos na linguagem altamente visual de Robert Wilson, os sonetos de Shakespeare se tornam uma fonte de dramas poéticos e prosaicos. Musicados por Rufus Wainwright, os poemas adquirem algo de pop.
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| Bob Wilson durante sabatina da Folha, em novembro; dramaturgo está em cartaz na Alemanha com "Shakespeares Sonette" |
Encenar Shakespeare, não o dramático e sim o lírico: esse foi o intento do diretor norte-americano Bob Wilson em Shakespeares Sonette (Sonetos de Shakespeare), espetáculo em cartaz no Berliner Ensemble. E para tal, Wilson se associou ao compositor e músico americano-canadense Rufus Wainwright.
O resultado é uma noite de variedades, com referência a todos os gêneros de entretenimento, desde a commedia dell'arte até sketches televisivos, passando pelo cabaré.
Se na era elizabetana os papéis femininos eram desempenhados por homens, Bob Wilson faz o mesmo, acrescentando a essa prática seu reverso: as atrizes fazem papéis masculinos.
Essa inversão a rainha Elizabeth 1ª, em seu trono, declamando um soneto com voz grave e o próprio Shakespeare, como jovem e ancião, em vozes femininas intensifica ainda mais o tom farsesco do espetáculo. Tanto que nem o número esporádico do ator travesti Georgette Dee, de microfone na mão, chega a destoar muito do entorno shakespeariano.
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