Brasil Online

Busca
Domingo, 08 de NOVEMBRO de 2009

Imprimir

05/07/2009 - 14h45

EUA e Obama dominam apresentação de Simon Schama na Flip

O historiador, professor, pesquisador e jornalista inglês Simon Schama abriu o último dia das mesas de discussões da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), neste domingo, e dividiu a conversa com a também historiadora Lilia Moritz Schwarcz. Ao se dirigir ao público pela primeira vez, disse "como era maravilhoso estar no Brasil".

Veja a cobertura da 7ª Festa Literária Internacional de Paraty
Folha sabatina o historiador Simon Schama

Schama falou sobre seu mais recente livro "O Futuro da América" (Cia. Das Letras) e transcorreu sobre quatro temas: guerra, religião, raça e tradição. Em seu discurso, Barack Obama esteve presente o tempo todo, como exemplo de retórica e de um homem que entende exatamente como funciona o poder da palavra --e foi comparado a seu antecessor, George W. Bush, que usava como "exposição" de seus atos justamente o silêncio e a omissão.

Schama mostrou ao público uma mistura de jornalismo com pesquisa acadêmica e análise histórica. Falou de muitos presidentes dos EUA, mas sempre que pôde citou Obama, defendendo-o de forma apaixonada --e chegou a classificá-lo como um "animal da palavra". "A verdade é maravilhosa e vai reger todo o resto se for dada a ela a possibilidade de fazer isso", disse, lembrando que todo americano deveria recitar todos os dias o estatuto da tolerância.

Disse que a eleição de Obama, como o presidente negro dos EUA, é importante porque mostra que os americanos conseguiram ver através da cor da pele dele. "A eleição de Obama foi a grande redenção para a promessa da igualdade americana."

"Dramaturgia da história"

Questionado pela mediadora sobre a forma como escreveu seu livro "O Futuro da América", que vai do presente ao passado, como se assistido pelas personagens citadas na obra, ele disse não acreditar na existência da separação de tempos. "A divisão entre presente e passado é ilusória. O que acabamos de falar aqui já é história."

Sobre a narrativa que impõe em sua escrita, Schama disse discordar que textos de historiadores devam ser carregados de linguagem acadêmica, e defendeu a simplicidade e a proximidade da escrita e das ideias com aqueles que vão ler o texto, chamando isso de "dramaturgia da história". "Quando comecei como historiador, a narrativa era praticamente proibida. Isso mudou, mas muitos ainda escrevem de forma austera. O historiador tem de se casar com o leitor, passar para ele a proximidade."

Citou a mesa de discussão de Chico Buarque e Milton Hatoum para falar da contaminação dos textos. Disse que se os historiadores quiserem escrever de forma verdadeira precisam esquecer a contaminação e pensar no público, e não escrever de forma que pareça uma reprodução de documentos. "Não se pode escrever livros de história para seminários. Temos de escreve como Camões. Tem de haver liberdade para escrever."

Questionado sobre qual seria o grande nome de nosso tempo, disse: "Nossa era é o começo do fim da Terra, a não ser que façamos algo." Falou também da importância de proteger o planeta e da aposta em conquistar formas limpas de captar energia para o mundo. "Será que vocês estão vendo o que está acontecendo? Vocês é que são os donos da Amazônia", disse à plateia.

Leia frases de Schama sobre Obama

"Obama tem influência grande no Oriente Médio e no Iran."

"Obama, de fato, é muito importante para os EUA e para o mundo, não só por suas origens, mas porque ele acredita no poder das palavras."

"As palavras podem construir o poder na política."

"Obama usa a oratória para a integração nacional. É um 'animal da palavra'."

"A eleição de Obama foi a grande redenção para a promessa da igualdade americana."

"Acho que após os discursos, sobretudo no Cairo onde mostrou grande conhecimento do mundo islâmico e defendeu os direitos da mulher, ele mostrou quais são suas intenções".

"Ele é sem dúvida um cidadão do mundo."

Enquete

Computando seu voto...
Carregando resultado

Total de votos: