O poeta Thiago de Mello, autor de livros como "Amazonas: Pátria da Água" (Global Editora, 2008) e "Amazonas no Coração Encantado da Floresta" (Cosac Naify, 2003), é conhecido pelo seu engajamento nas causas sociais e ambientais, especialmente a conservação da floresta. Nascido na cidade de Barreirinha, no Estado do Amazonas, ele foi perseguido pela ditadura militar no Brasil e teve que passar um tempo fora do país.
| Fernando Fiuza/Folha Imagem |
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| O poeta Thiago de Mello participou da Feira do Livro de Ribeirão Preto |
Horas antes de realizar uma palestra na nona Feira do Livro de Ribeirão Preto (que este ano homenageou o estado do Amazonas - tema recorrente em seus livros), o escritor concedeu uma entrevista à
Livraria da Folha
Consciência ambiental
Admirado ao redor do mundo pela sua preocupação com os problemas ambientais e sociais, o poeta relembrou sua surpresa ao constatar, há anos atrás, que o Brasil continuava na periferia do debate sobre preservação da Amazônia, enquanto outras nações investiam em avançadas tecnologias para conhecer a floresta. No entanto, percebeu que informação não basta. "Uma coisa é estudar a Amazônia em Harvard, fazer PhD como muitos ecologistas que nunca foram à floresta. Eu acho que para conhecer alguma coisa, é preciso amar. E para escrever sobre ela, conhecer. A gente só ama aquilo que a gente conhece, e a gente só sabe aquilo que a gente vive", declarou o poeta. Foi por isso que depois de 40 anos vivendo em diversos cantos do mundo, ele regressou definitivamente a sua terra natal antes mesmo de obter anistia. Assim que pisou em solo canarinho, foi preso.
"O que me chamou de volta à floresta foi o respeito ao meu compromisso com uma causa a qual consagro muito de minha vida e de minhas palavras escrita e falada: a preservação da floresta amazônica" declarou à
Livraria da Folha. No entanto, o poeta enxerga um desinteresse crescente da sociedade pelo local, em grande parte devido à imersão cada vez maior da sociedade no sistema capitalista de consumo exacerbado. "A pessoa não está voltada para se conscientizar de problemas verdadeiramente ligados ao bem-estar. Conscientizar é trabalhar para uma criança que ainda vai nascer."
Questionado sobre a melhor maneira de sensibilizar a população brasileira a respeito do assunto, Thiago respondeu que isso só ocorre através da conscientização por meio da palavra límpida, isenta de interesses políticos e econômicos. "Cada brasileiro deve se sentir responsável em defender esse patrimônio natural. É preciso que haja primeiro, conscientizadores. E depois, espíritos abertos, inteligências sadias, que não sejam contaminados ainda de que o importante na vida é vencer, é ganhar dinheiro".
Gosto pela leitura
Thiago diz ter desenvolvido o gosto pela palavra ainda no primário, graças ao estímulo de sua professora, dona Aurélia Rego Barros, que "não me fez ser poeta, mas plantou em mim, profundamente, o gosto pela leitura". E completa: "todo escritor exerce influência sobre quem lê sua obra. Tudo que é bem feito, tem qualidade artística, a gente se enriquece. A página de um romance pode iluminar sua vida. Às vezes um verso, uma estrofe de um poema, pode indicar um caminho, pode te fazer mais feliz".
Com relação a feiras literárias, especialmente em um país que pouco lê, Thiago as considera um grão, um tijolo que ajuda a "construir a consciência de que leitura é um elemento fundamental para a formação do ser humano, que vem ao mundo para ajudar a vida a ser melhor."