O prêmio mais tradicional da literatura brasileira consagrou o escritor gaúcho Moacyr Scliar, 72, pelo romance
"Manual da Paixão Solitária", escolhido como o melhor livro de ficção de 2009.
O autor embolsou R$ 30 mil e recebeu a estatueta da 51ª edição do prêmio Jabuti, na noite desta quarta-feira (4), na Sala São Paulo, na Luz (região central de São Paulo).
| Sérgio Ripardo |
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| Moacyr Scliar cumprimenta Marisa Lajolo, premiada com Jabuti de melhor livro não-ficção |
Antes do início da cerimônia, em conversa com a
Livraria da Folha, ele comentava: "O Jabuti tem uma longa trajetória, tem seriedade, consistência, é um prêmio que venceu a prova do tempo, tem o respaldo da CBL [Câmara Brasileira do Livro]".
E a tradição de que o vencedor na categoria de melhor romance receba o grande prêmio da noite?
"O prêmio de melhor romance já está de bom tamanho. Estou aqui para encontrar meus amigos, outros escritores", desconversou, brincando que o "jabuti como um verdadeiro quelônio caminha devagar, mas caminha na direção certa".
Após o anúncio, no final da cerimônia, de que
"Manual da Paixão Solitária" era o livro do ano, Scliar subiu ao palco e agradeceu aos pais que o incentivaram a ler e ao Rio Grande do Sul, sua terra natal. Foi muito aplaudido. Ainda no palco, ele falou com a
Livraria da Folha sobre aquele momento.
"Quero te falar com toda sinceridade: eu não esperava. Foi realmente assim uma surpresa muito grande. Acho que isso representa uma culminância na minha carreira literária. Eu escrevo há várias décadas, sempre tentanto melhorar o que eu faço. Eu acho que esse prêmio é o reconhecimento de que esse esforço valeu a pena", comentou Scliar, que iniciou sua vida profissional como médico.
A reportagem pediu ao grande vencedor do Jabuti 2009 um conselho aos jovens internautas que pensam em seguir uma carreira literária.
"Eles podem confiar em quem passou por muitos momentos difíceis, que muitas vezes se sentiu desencorajado: escrever é um sonho e a gente tem de ir atrás do sonho."
Próximo livro
Scliar trabalha no seu próximo livro, com previsão de lançamento em 2010. Será uma ficção política e histórica, conta à
Livraria da Folha. Como assim? "É baseada na história do Brasil, mas não é uma biografia. É sobre a política brasileira, essa oposiçaõ entre esquerda e direita, que sempre foi muito complicada no Brasil."
O autor não dá detalhes, mas deixa escapar que sua nova obra terá elementos de sua memória no Rio Grande do Sul. "Fui um menino que desfilou na parada de 7 de Setembro na frente de Getúlio Vargas. Como gaúcho tenho laços fortes com essa figura histórica."