Nascido em Salto, interior de São Paulo, Anselmo Duarte Bento consagrou-se como diretor de "O Pagador de Promessas", único filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
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O primeiro contato de Duarte com o mundo do cinema foi aos 10 anos, quando começou a trabalhar como molhador de tela em sessões de cinema mudo. Sua função era umedecer o painel esquentado pelo projetor, evitando incêndios.
Aos 22 anos, participou como figurante de "It's All True" filme inacabado do cineasta norte-americano Orson Welles. Em 1947, Duarte atuou em seu primeiro longa, "Não Me Digas Adeus", de Luis Moglia Barth.
| Daniel Guimarães/Folha Imagem |
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| Anselmo Duarte em seu apartamento na cidade de Salto, em São Paulo; diretor foi homenageado pelo Festival de Cannes em 1997 |
Dois anos mais tarde, finaliza o roteiro de "Carnaval no Fogo", filme que contou com Grande Otelo e Oscarito no elenco. Casou-se em 1949 com a atriz Ilka Soares, separando-se sete anos mais tarde.
Contratado pela Companhia Vera Cruz, principal estúdio cinematográfico brasileiro da década de 50, escreve, dirige e atua em diversos filmes, com destaque para "Tico-Tico no Fubá", "Sinhá Moça" e "Absolutamente Certo".
Seu maior sucesso, "O Pagador de Promessas", é concluído em 1962. O filme com Glória Menezes e Leonardo Villar desbanca títulos de Luis Buñuel e Michelangelo Antonioni e conquista o prêmio máximo do Festival de Cannes, além de receber uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Na época, o cineasta entrou em atrito com os principais expoentes do Cinema Novo, que acusavam o diretor de realizar apenas filmes comerciais e de apelar à estética de Hollywood.
Durante a década de 70, dirige atores como Pepita Rodrigues, Jorge Dória, Lucélia Santos, Lima Duarte e Stênio Garcia em diversas produções. Entretanto, seus filmes não alcançam o mesmo sucesso de crítica e público de suas obras anteriores.
Na década seguinte, deixa a direção e participa de poucos projetos como ator, entre eles os filmes "Tensão no Rio" e "Bela Adormecida". Em 1987, encerra a carreira cinematográfica e volta a viver em Salto, onde a prefeitura local cria a Semana Anselmo Duarte.
Em 1997, os organizadores do 50º Festival de Cannes prestam uma homenagem a todos os vencedores da Palma de Ouro, convidando Duarte para participar do evento na França.
Criado em 2008 por seu filho, Ricardo Duarte, o Instituto Anselmo Duarte ajuda a preservar e divulgar o legado do cineasta paulista.