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| Historiador analisa a vida do grande cientista e seu pensamento político |
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Para Einstein, o ano de 1919 marcou um triunfo que transformaria sua vida. Em março, uma expedição britânica chefiada por A.S. Eddington observou o eclipse solar; outro grupo fora para Sobral, no Brasil. Em novembro, J.J. Thompson, presidente da Royal Society e ganhador do prêmio Nobel, anunciou que os resultados confirmavam as deflexões gravitacionais que Einstein havia presumido, validando assim a Teoria da Relatividade Geral. Thompson saudou o trabalho de Einstein como "um dos maiores feitos - talvez o maior - na história do pensamento humano".
Quase da noite para o dia, Einstein tornou-se um herói celebrado em toda parte: a imprensa alemã, ou pelo menos seu segmento liberal democrata, passou a dar grande destaque a ele, e seu retrato, reproduzido constantemente, tornou-se uma imagem familiar. O novo culto do gênio desgrenhado era sintomático de uma transformação mais profunda: outrora se retratavam os dignitários da velha ordem, de preferência ostentando medalhas e trajando uniformes; agora surgia a imagem de um sábio solitário, como uma informalidade meticulosamente cultivada. Einstein tornou-se um patrimônio nacional num país à beira da falência e deliberadamente excluído da comunidade científica internacional.
Ele era celebrado também no exterior: aqui estava um gênio científico de nacionalidade incerta que passara incólume pelo chauvinismo da guerra, que revolucionaria a concepção que o ser humano tem do universo e redefiniria os fundamentos do tempo e do espaço, e que o fizera de modo tão recôndito que apenas um punhado de cientistas era capaz de compreender a nova e misteriosa verdade. Cientistas franceses e ingleses podiam celebrá-lo e ungi-lo como o primeiro alemão reabilitado. Todavia, esses encômios pareciam escarnecer dos demais alemães. Na realidade, o renome público em geral e a aclamação dos Aliados em particular não caíram nada bem entre alguns dos seus colegas germânicos.
Ainda que de maneiras bem diferentes, Haber e Einstein tornaram-se representantes importantes da República de Weimar. Haber servira à ciência alemã com toda a sua energia e ambição; Einstein por sua mera presença, tornara-se inadvertidamente um patrimônio nacional. Os dois voltaram a se aproximar, a despeito das divergências remanescentes, unidos por laços de respeito e afeição, por buscas comuns, por necessidades particulares e pelos difamadores anti-semitas de Einstein - que Haber temia que pudessem levá-lo a aceitar alguma oferta do exterior.
Aclamação gerou controvérsia: alguns notáveis da ciência alemã expressaram reservas quanto à teoria da relatividade com argumentos ad hominem e anti-semitas. Mais uma vez, Einstein se deu conta de que o elemento nacionalista/racista da vida na Alemanha continuava bem vivo e que se tornara ainda mais perigoso em face do que chamava "servilismo inato" dos alemães. Haber não compartilhava essa desconfiança, mas também ele se deparava com o soturno submundo da vida alemã nas calúnias dirigidas a seus amigos e, por vezes, a si próprio. Naqueles anos de invectivas públicas Einstein encontrou em Haber um amigo firme e um conselheiro.
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"O Mundo Alemão de Einstein"
Autor: Fritz Stern
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 414
Quanto: R$ 60,00
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 e no site da Livraria da Folha