A fama de garanhão que Gustavo, personagem de Marcelo Airoldi em
"Viver a Vida", conquistou tem divertido muito o ator. Afinal ele agrada algumas mulheres e deixa outras completamente indignadas com seu estilo sedutor. Na história, Gustavo, apesar de ser casado com Betina, de Letícia Spiller, não faz a menor questão de disfarçar quando se engraça por algum "rabo de saia". "A recepcionista do condomínio onde moro conversa comigo como se eu fosse o Gustavo. É muito engraçado. Sempre tem um parente na família que é igual, o marido, ou ex-marido", conta, aos risos. Já a abordagem masculina é das mais previsíveis. "Para o homem, em geral, ainda é legal essa coisa de sair com várias mulheres. Tem uns que me dizem que são iguais ao meu papel", ressalta.
Mas, para Marcelo, seu personagem, mesmo com todas as "galinhagens", vive um grande conflito: ser apaixonado por Malu, de Camila Morgado. "Talvez seja mais legal porque ela é a prima da esposa dele", frisa. Atraído pela possibilidade de uma vida repleta de aventuras sexuais, Gustavo acaba não cuidando do que já conquistou: sua família. "Ele não tem tempo de olhar para a Betina, o que vai lhe trazer consequências graves", avisa o ator de 39 anos, referindo-se ao fato de que, na trama, Carlos, personagem de Carlos Casagrande, está se aproximando cada vez mais da mulher de Gustavo.
Na tevê, este é o primeiro trabalho de destaque na carreira de Marcelo, que fez participações na minissérie "Som & Fúria" e em "Belíssima". Mas a oportunidade de entrar em "Viver a Vida" surgiu depois que o ator interpretou Adoniran Barbosa no especial "Por Toda Minha Vida" - que ainda não foi ao ar - em homenagem ao compositor. Isso porque o diretor do programa, Fabrício Mamberti, que também dirige o folhetim das oito da Globo, o convidou para um teste no início do ano. "Foi uma surpresa porque achei que me veria como Adoniran antes de começar qualquer outro trabalho na emissora", confessa. "Nem sabia que o personagem na novela seria tão legal assim", acrescenta ele, que está tendo a chance de transitar por vários núcleos do folhetim.
O Gustavo é seu primeiro personagem em uma novela e a repercussão é ainda maior por ser uma trama do horário nobre da Globo. Sentiu algum tipo de preocupação quando soube que faria esse papel?Sempre dá um frio na barriga, o que adoro e acho importante para estimular. A tranquilidade no set e no palco é relativa, não pode soar como preguiça porque nunca é fácil. E tevê é muito diferente de teatro no sentido de que você não tem a chance de corrigir. A construção do personagem é diária. Sem falar que é a novela mais vista, por isso a vidraça é maior e mais sensível. Fiquei preocupado, mas encaro como um privilégio poder transitar por todas essas linguagens.
Na trama, Gustavo é o típico "garanhão", mas ele tem um humor que o torna mais cativante. Você considera esse um fator importante para tornar o personagem tão popular entre as pessoas?Tem uma característica legal de que ele não é o "galinha" mau-caráter e tem esse lado bem-humorado. Além disso, a troca com a Camila Morgado sempre é boa. São cenas de muita velocidade, de cai aqui, levanta ali, puxa de cá. É muito legal.
Você é ator há 20 anos e só agora está fazendo tevê. Por que isso só aconteceu depois de tanto tempo?Não comecei a ser ator para ir para a televisão, mas nunca tive nenhum tipo de preconceito. Eu também escrevo para teatro e dirijo. Acho que o legal de ser ator é você poder fazer e dizer o que quiser. E agora apareceu a oportunidade de conhecer a linguagem da tevê nesse momento da minha vida, não antes.
E o que você ainda planeja para sua carreira?Adoro cinema, estou gostando da tevê. Tenho muita história para contar ainda. Uma coisa que quero é nunca parar como dramaturgo, como diretor e nem como ator. Mas agora não estou com nenhum projeto porque quero me dedicar à novela e conhecer esse universo.
(por Luana Borges)