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| "Não me estranha que seu mundo está tão vazio de pessoas reais" |
Um egoísta sem sensibilidade, um machista que fez suas mulheres sofrerem e as abandonou, um tipo capaz de converter sua família em uma seita, um iluminado predestinado a fazer de sua vida uma grande obra. Estas revelações de Margaret A. Salinger, filha de J.D. Salinger, compõem a biografia "Dream Catcher" (2001) --sem edição em português--, é o que informou o jornal espanhol "El País".
Conheça as obras de J.D. Salinger publicadas no BrasilO volume é permeado por dois sentimentos: a admiração e o rancor da autora. Margaret descreve seu pai como um homem que acreditava que levar seus filhos por duas semanas de férias para a Inglaterra era o maior sacrifício que poderia fazer. Para a autora, Salinger era como os demais, uma pessoa cruel e miserável.
Margaret define Salinger como um egoísta absoluto e admite a profundidade dos abismos do escritor, presentes em sua obra. Porém, destaca que o que a incomodava é a intensa necessidade de uma pessoa estar andando pela borda do precipício. No entanto, em certa parte do livro, Margaret também declara que seu pai passou a vida escrevendo coisas belas.
Em outra passagem, a autora declara que, para Salinger, ter alguma falha era motivo de repulsa, e ter um defeito, uma espécie de traição. "Não me estranha que seu mundo está tão vazio de pessoas reais nem que seus personagens de ficção se suicidam tanto".