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Sábado, 25 de outubro de 2014

BOL Notícias

Escritora portuguesa cria diários com crianças de diferentes países

GABRIELA ROMEU
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Fotos Divulgação
Margarida Botelho realiza trabalho junto a crianças africanas
Margarida Botelho realiza trabalho junto a crianças africanas


A autora portuguesa Margarida Botelho gosta de promover encontros com grupos de crianças mundo afora (Moçambique, Índia, Indonésia) para contar e recontar histórias em diários que são escritos e ilustrados por elas.

Ela está no Brasil lançando o livro "Eva" (ed. Paulinas), criado depois de um desses encontros. Pela mesma editora, a escritora já lançou "Os Lugares de Maria".

O livro "Eva" é um só, mas tem duas histórias e duas capas - o leitor pode começar por um lado ou pelo outro. Traz duas personagens, mas um só nome - a Eva do título.

O livro mostra como a vida de duas meninas é tão diferente e tão igual. Uma vive em Moçambique, a outra mora em Portugal. No caminho entre elas, está um divertido jogo criado pela autora. Ela usou fotografias e colagens para ilustrar as histórias.

Na entrevista abaixo, Margarida (www.margaridabotelho.com ) conta um pouco como é o seu trabalho com as crianças.

Folhinha: Você já viajou por alguns lugares ouvindo e recontando histórias. Quando e por que isso começou?

Margarida Botelho: Como todas as surpresas boas, essa aventura das histórias pelo mundo não foi planejada. Um dia, há três anos, desembarquei em Moçambique num campo de refugiados com famílias de muitos lugares da África. O plano era ser professora na escola do campo. Mas o tempo foi passando e descobri que a forma de comunicar mais eficaz em várias línguas era através das histórias/diários visuais de cada criança. Assim nasceu o projeto Encontros.

Capa do livro "Eva", de Margarida Botelho
Capa do livro "Eva", de Margarida Botelho


O que aprende com as crianças nessas andanças? E como é o trabalho com elas?

Por meio das histórias, aprendo sempre muito sobre a vida das comunidades, como são as suas rotinas, as suas memórias e, acima de tudo, os seus sonhos. O trabalho é organizado sob a forma de oficinas que acontecem todos os dias na escola, num centro ou num lugar de encontro da comunidade, pode ser na sombra de um mangueira. Eu levo para a comunidade livros em branco, lápis, tintas e depois ao longo dos dias as páginas vão sendo habitadas pelas histórias de vida de cada um. Tento criar um ambiente que seja o mais informal e legal possível, para que todos se sintam bem!

Pode falar de algumas das experiências nesses projetos?

No ano passado, no Brasil, trabalhei com o projeto Encontros numa comunidade ribeirinha/cabocla na reserva do Uatumã, na Amazônia. Durante um mês, várias pessoas da comunidade fizeram os seus diários/histórias. Começamos na escola e, depois em casa, os pais, tios e avôs também quiseram participar. Entretanto eu aprendi a pescar pirarucu, a pegar açaí na árvore e a fazer beiju. Há sempre uma troca muito grande de experiências.

Qual é a história por trás da história do livro "Eva", que acaba de lançar em terras brasileiras? E como foi a sua experiência num campo de refugiados em Moçambique?

Foi a partir da experiência no campo de refugiados que esse projeto nasceu, foi um ano muito importante para mim porque vivi de uma maneira nova e que até aí só conhecia através da televisão ou dos livros. Aprendi muito sobre diferentes culturas, mas acima de tudo aprendi muito sobre mim. Ali estava eu sem os recursos da escola da cidade, sem artifícios, só comigo e com o que eu sabia até então para criar ambientes educativos estimulantes para ambas as partes.

Quando cheguei a Portugal, todo o mundo me perguntou sobre como tinha sido a experiência e como também sou autora infantojuvenil, os livros são a minha forma de expressão por isso fiz um livro sobre duas meninas que vivem em lugares opostos, têm exatamente o mesmo o nome. As duas Evas representam o meu encontro com todas as crianças que conheci no campo. Este é o primeiro de vários livros sobre esses encontros que irei lançar nos próximos meses e anos. O próximo título chama-se Yara e será exatamente sobre a minha experiência na Amazônia.

Margarida Botelho na África, com refugiados
Margarida Botelho na África, com refugiados


O livro tem fotografia e colagem. Pode contar um pouco sobre a técnica que usou para criar as ilustrações?

As técnicas que uso nos meus livros estão sempre relacionadas com a história, como se fossem uma extensão das palavras que uso. Como essa história é autobiográfica, à volta de episódios e pessoas reais, usei muito a fotocolagem em ilustrações tridimensionais, que, no final, são também fotografadas. É como se fosse a fotografia dentro da fotografia. Para essa técnica, trabalho em parceria com o meu grande amigo e fotógrafo Mário Rainha.

Quem foi a Margarida menina? O que ela gostava de fazer, com que brincava e sonhava?

A Margarida menina continua bem viva na Margarida moça. Tenho um livro que fala muito da minha infância pelos olhos grandes de outra personagem. O livro chama-se "Os Lugares de Maria". Eu era como a Maria: inventava lugares novos a toda hora, vivia no mundo do faz de conta. Essa era a minha brincadeira preferida: fazer de conta. Acordava no quarto/savana com uma poesia e fazia de conta que era um leão, depois à tarde no recreio da escola fazia de conta que era a professora e com as minha amigas brincávamos de ser vizinhas e mães dando banho nas bonecas de tecido. Também gostava de brincar de médica e fazia operações com tesouras e lápis de cor nas tais bonecas.

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