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Segunda-feira, 1 de setembro de 2014

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Mulheres têm dois tipos de orgasmo? Saiba o que é mito e o que é verdade sobre esse assunto

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A mulher não tem dois tipos de orgasmo, mas pode atingi-lo de duas maneiras

Cléo Francisco
Do UOL, em São Paulo

Mesmo com a liberdade sexual conseguida pelas mulheres nas últimas décadas, os caminhos para a conquista do prazer e do orgasmo continuam um mistério para muitos. Algumas ideias prevalecem, como a de que existem dois tipos de orgasmo e que um é melhor do que o outro. Foi Sigmund Freud o primeiro a fazer essa divisão, ao considerar que a mulher que se excitava com manipulação do clitóris na juventude deveria, com o amadurecimento, ter orgasmo vaginal. "Para ele, mulher que não tivesse o orgasmo obtido com penetração era considerada imatura", afirma a ginecologista e sexóloga Jaqueline Blender, de Porto Alegre.

Hoje, sabe-se que orgasmo é um só, como explica a ginecologista e sexóloga Glene Rodrigues. "Ele ocorre no cérebro e se manifesta através de contrações seguidas pelo relaxamento do corpo, com maior intensidade na região da pelve e extremidades como pés e mãos. A sensação é uma só, não há dois tipos de orgasmo. O que existe são locais diferentes que vão estimulá-lo", diz a especialista, explicando que se convencionou chamar de vaginal ou clitoriano o orgasmo atingido pelo estímulo de uma ou outra região. 

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    A maioria das mulheres atinge o orgasmo através da estimulação do clitóris, e não com a penetração


Como a diferença está em como chegar ao orgasmo, dizer que um é mais intenso ou prazeroso do que o outro é um mito. De acordo com Glene Rodrigues, tanto um quanto o outro podem ser leves ou intensos, dependendo do grau de excitação do momento. "Não depende do local de estímulo. Isso vale tanto para o vaginal quanto o clitoriano", afirma a médica. A dúvida é frequente porque a maioria das mulheres chega ao orgasmo pela estimulação do clitóris.

"Cerca de 30% das mulheres têm orgasmo vaginal. O clitoriano é o mais comum, por ser um órgão externo, com o qual elas têm contato desde a infância. A sensação é mais fácil de ser percebida", afirma Glene. "Cada mulher tem de saber como funciona sua sexualidade. Se ela tem o clitoriano, esse é o melhor orgasmo para aquela mulher, e o mesmo vale para o vaginal. Há as que só têm um dos dois e as que têm ambos", explica a médica. Então, seria essa uma mulher privilegiada, certo? A resposta é não, de novo. "Ser privilegiada não depende do tipo de orgasmo, mas de encontrar o parceiro que se adapte ao tipo de orgasmo que a mulher tem", diz Glene

A insistência no orgasmo vaginal
Por desconhecimento de como funciona a sexualidade feminina, muitos homens exigem que suas mulheres tenham o orgasmo vaginal. "A mulherada insiste nesse orgasmo quando o parceiro cobra porque quer agradá-lo", diz Glene Rodrigues. Mas apenas a penetração não é garantia de prazer. "Para eles, é difícil ouvir isso, mas penetração sozinha é um estímulo muito pobre. Para a maioria das mulheres, o clitóris é o personagem principal para dar prazer”, explica Cristina Romualdo, psicóloga, terapeuta sexual e autora do livro Masturbação (Expressão & Arte editora).

A função do clitóris

O clitóris só tem uma função no corpo feminino: ser fonte de prazer. "Considerando o corpo masculino e feminino, a região do clitóris é a mais ricamente enervada. Não existe nenhum outro órgão no homem que tenha o mesmo número de terminações nervosas", explica Jaqueline Blender.

De acordo com a psicóloga e sexóloga Ana Canosa, toda mulher está apta a ter orgasmo com a estimulação do clitóris. "Desde que ela não tenha nenhum problema anatômico nessa área nem questões psicológicas como de repressão, por exemplo, que bloqueie o prazer".

Descartados esses problemas, a questão é sentir-se à vontade para tocar o próprio corpo, descobrir o tipo de toque que dá prazer e guiar o parceiro. "Elas precisam pegar na mão dele e mostrar a intensidade, pressão, rapidez, como é a estimulação que a satisfaz", diz a terapeuta sexual Cristina Romualdo. E a mesma atitude serve para o sexo oral. "A mulher tem de falar como gosta, o que fazer e o que não curte", diz ela.


O orgasmo clitoriano pode ser confundido com o vaginal. "O que observamos é que, quando a mulher tem orgasmo com penetração, pode acontecer ao mesmo tempo a estimulação do clitóris pelo órgão masculino. Portanto, o clitóris é que foi estimulado", conta Ana Canosa. O orgasmo vaginal é aquele que não tem estímulo do clitóris.

"Ele é mais difícil porque essa região não tem tantas terminações nervosas quanto o clitóris. A maioria dessas terminações está no primeiro terço da vagina". O tão discutido ponto G estaria nessa região. Seria uma saliência atrás do osso púbico. "Ele favoreceria o orgasmo vaginal. Há estudiosos que defendem que ele seria a raiz do clitóris e que algumas mulheres o teriam mais proeminente, o que daria mais prazer. Mas essa ainda é uma questão muito controversa", afirma Ana Canosa.

Quer tentar?
Para as mulheres que queiram tentar o orgasmo vaginal talvez seja interessante a "manobra da ponte", que consiste, basicamente, em estimular o clitóris antes e durante o coito. “É melhor que a mulher faça isso porque o homem acaba concentrado na penetração. Quando ela perceber que está perto do orgasmo, tira a mão para perceber se consegue que apenas a penetração dispare orgasmo", diz Ana.

Mas lembre-se: o orgasmo vaginal não é imprescindível para a satisfação de nenhuma mulher. "Ele não torna nenhuma melhor que a outra. O que faz uma mulher boa de cama é a capacidade de dar e receber prazer", afirma Glene.

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  • Arte/UOL

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