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Sexta-feira, 05 de DEZEMBRO de 2008

29/08/2008 - 23h40

Maurren admite despreparo psicológico de alguns atletas em Pequim

Renan Prates
Em São Paulo

Desde que chegou de Pequim com uma medalha de ouro no peito, a vida de Maurren Maggi virou de cabeça para baixo. Convites para entrevista surgem aos montes, e ela tenta atender a todos pacientemente. "É uma forma de agradecer a divulgação que vocês sempre me deram", justifica aos jornalistas.

Jair Bertolucci/TV Cultura/Divulgação
Maurren Maggi acha que alguns atletas não chegaram maduros para os Jogos Olímpicos
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PERFIL DE MAURREN MAGGI
Nesta sexta-feira, não foi diferente. Depois de participar com alguns medalhistas olímpicos para o Altas Horas, a saltadora partiu direto para ser sabatinada no Roda Viva, da TV Cultura. "O treino eu tiro de letra. Essa maratona na imprensa é mais estressante", confessou.

Apesar de dizer ser estressante a ronda diante de câmeras e microfones, Maurren mostrou desenvoltura, respondendo às as perguntas sem desvios, sem titubear. Foi essa mesma postura "guerreira" que ela teve para saltar 7,04 m e ganhar a medalha de ouro. "Trabalho bem sob pressão. A maior pressão sou eu que exerço em mim mesma, não as pessoas", disse.

Na avaliação da saltadora, faltou esse tipo de preparo psicológico para alguns atletas nacionais nos Jogos Olímpicos de Pequim. "Material humano a gente tem, mas alguns atletas não chegaram maduros o suficiente para uma competição como essa", justificou.

Maurren disse que tem uma psicóloga "boa e amiga, a Doutora Cris". Mas a saltadora não credita o seu sucesso exclusivamente a essa parceria. "A gente conversava muito mesmo na época que eu tava fora [das competições]. Ela me acompanha quando eu preciso. Mas eu busquei força mesmo foi na minha filha", disse, em referência a Sophia, de três anos, de quem a mãe não perdia a atenção.

Maurren citou outro fator que colabora, em sua avaliação, que inibe a conquista de resultados mais expressivos para o Brasil. Segundo a saltadora, falta mais ambição a alguns atletas. "Eles já se contentam com o fato de disputar uma Olimpíada, sem aspirar a vôos mais altos. Isso precisa mudar".

Apesar da advertência, Maurren Maggi celebrou o desempenho do atletismo brasileiro em Pequim, que ela qualificou como histórico. "Tivemos o maior número de finais olímpicas. Além disso, quase beliscamos o bronze nos dois revezamentos".

Após mais de uma hora de perguntas e o fim da gravação, Maurren não transparecia cansaço. "Obrigado a todos vocês de coração, se soubesse que era tão bom viria antes", disse, para depois soltar. "Foi bom que mandei um monte de recados sem citar nomes".

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