
Finalizada a Masters Cup de Xangai, última competição individual da temporada regular de tênis, chegou a hora de ser disputada a grande final da Copa Davis, torneio masculino de seleções, entre sexta-feira e domingo. Após deixarem para trás seus três adversários, Argentina e Espanha se reencontram pela terceira vez na história da competição, em Mar Del Plata, com os anfitriões em totais condições de, enfim, vencerem a equipe européia e conquistarem um título inédito entre países da América do Sul.
O primeiro deles é o fator casa. A escolha de Mar Del Plata como sede da decisão gerou polêmica e uma enxurrada de reclamações, sobretudo por parte de David Nalbandián, que queria disputar a final em sua cidade-natal, Córdoba. Mas independentemente do exato local dos jogos, fato é que a apaixonada torcida argentina certamente empurrará o time. Além disso, a equipe sul-americana tem aquele que pode ser considerado como um dos grandes destaques deste segundo semestre: Juan Martín Del Potro. Entre julho e agosto de 2008, o jovem tenista de 20 anos faturou nada menos do que quatro títulos consecutivos. Uma final em Tóquio, uma semi na Basiléia e quartas-de-final no Masters de Paris e no Aberto dos Estados Unidos ajudaram a levar Del Potro à Masters Cup de Xangai e ao nono lugar no ranking, a melhor colocação de um argentino neste final de ano.
O capitão Alberto Mancini também tratou de repousar os seus dois tenistas de simples e escalou Jose Acasuso e Agustín Calleri para a partida de duplas. Já a Espanha surpreendeu ao definir Feliciano López como o segundo tenista de simples, preterindo Fernando Verdasco, atual 16º do mundo e que só é superado por Ferrer e Rafael Nadal, este contundido, no ranking. A ausência do número um do mundo, não-convocado devido a uma tendinite no joelho direito, caiu como uma bomba no time, embora tanto o líder do ranking mundial quanto o capitão Emilio Sanchez tenham feito questão de dar moral para os demais jogadores. Mas o novo número um da Espanha está longe de seu melhor momento. David Ferrer, que teve um grande início de temporada e chegou a ser o número quatro do mundo, simplesmente despencou no segundo semestre, parando no 12º lugar do ranking.
O piso escolhido pelos argentinos também prejudica os espanhóis. Pela primeira vez em 55 confrontos de Davis disputados em casa, os sul-americanos não optaram pelo saibro, mas sim pela quadra rápida e coberta. Inicialmente, o objetivo era parar Rafael Nadal, o que se mostrou desnecessário diante da ausência do espanhol. Mas, ainda assim, o piso duro é o favorito de Nalbandián e Del Potro, enquanto Ferrer, apesar de versátil, se dá melhor na terra batida. Tanto favoritismo, porém, é apontado como o principal adversário dos argentinos nesta decisão. "Eles têm tudo para ganhar, mas vão ter que controlar os nervos", avalia o ex-tenista Fernando Meligeni, argentino naturalizado brasileiro. "Não vai ser nada mole jogar diante da tanta gente, ainda mais sabendo que o Nadal não está lá e que os espanhóis estão despreocupados". | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||