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Sábado, 25 de outubro de 2014

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Eles roubaram o futuro de Kevin, diz mãe de boliviano morto em jogo do Corinthians

Reprodução/Facebook/Kevin Douglas Beltran Espada

Kevin Douglas Beltran Espada, boliviano morto em jogo do Corinthians na Libertadores

EDUARDO OHATA
ENVIADO ESPECIAL A COCHABAMBA

Filho de um casal de professores de classe média baixa, Limbert e Carola, que trabalham entre 14 e 16 horas por dia e cujos salários somados não atingem os US$ 400 (cerca de R$ 800), Kevin Beltrán, 14, vivenciou dias de euforia na semana que passou.
 

O adolescente, segundo o seu melhor amigo, Emanuel, festejava que pela primeira vez iria assistir ao vivo uma partida de seu time, o San José, em Oruro, e de quebra veria a equipe campeã do Mundial do Japão, o Corinthians.

"Eu não teria condições financeiras para levá-lo para assistir a Copa no Brasil, mesmo sendo aqui do lado. O que seria a segunda melhor opção? Deixá-lo assistir o Corinthians", lembra Limbert, que recebeu a reportagem da Folha em casa. "E por quê não? Pelo que ele era, merecia."

Era Kevin, no dia a dia, que tomava conta dos irmãos - Jhojan Cristhian, 9, Alexandra, 8, e Matías, 2, enquanto os pais trabalhavam. Foi ele quem lhes ensinou a brincar, dançar, e ajudava com as lições de casa. O caçula o chamava de "Papa" ("papai").

  Jorge Abrego-23.fev.13/Efe  
Parentes e amigos de Kevin Espada participam do seu enterro em Cochabamba, na Bolívia
Parentes e amigos de Kevin Espada participam do seu enterro em Cochabamba, na Bolívia


Ao chegar a Oruro, lá pelas três da madrugada, pai, mãe e tio não puderam entrar no necrotério. A polícia o havia selado. Mas ouviram que poderiam ver o corpo de Kevin, às 8h, brevemente, antes de ser levado à autópsia. Viram o corpo com o projétil encaixado onde era seu olho, o lado direito do rosto destruído.

Os pais não acreditavam. Tentaram, em vão, aquecer o corpo do filho, já rígido. O abraçavam, sem se importar com o vermelho da camisa, de sangue. O mesmo sangue que foram ao estádio limpar -não queriam que a tragédia dele fosse exposta na mídia.

"Não sei se essa é uma batalha que vou ganhar", diz Limbert -alusão à atuação do governo brasileiro no caso.

"O rapaz apresentado como culpado [pela Gaviões]. Não parece algo ensaiado?"

Na escola de Kevin -um colégio católico-, a irmã Rosário Cárdenas, emocionada, perguntou: "Diga-me, vai haver Justiça? Seja sincero!"

Mas foi a mãe de Kevin, Carola, sua melhor amiga, segundo Limbert, que melhor definiu o episódio: "Eles roubaram o futuro de Kevin..."

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