Caracas, 5 jul (EFE).- O presidente boliviano Evo Morales afirmou
na Assembléia Nacional venezuelana pela ocasião do 197º aniversário
da Independência da Venezuela, que após a independência da Espanha,
os povos sul-americanos trabalham para uma segunda libertação "que
deve ser definitiva".
Convidado pelo Governo venezuelano, Evo Morales dedicou a maior
parte de seu discurso a expor a história recente de seu país, e a
explicar que o atual processo transformador estava assumindo
desafios e problemas que vinham de 500 anos atrás.
Sua exposição foi pontilhada de exemplos e lembranças sobre a
resistência, segundo ele, que as classes dominantes, apoiadas por
interesses estrangeiros, estão desenvolvendo para evitar que o povo
camponês e indígena boliviano supere seu histórico de submissão.
Morales lembrou a defesa que as tribos indígenas fizeram de suas
culturas e direitos frente à colonização espanhola e aos setores
dominantes que a materializaram.
Relatou que esses setores minoritários perpetuaram seus
privilégios até os dias atuais mediante o controle dos poderes do
Estado e destacou que sua oposição a compartilhá-los com o povo
continua viva.
O presidente boliviano disse que o grupo que o levou à
Presidência da Bolívia para reivindicar seus direitos não foi
iniciativa de políticos, mas de camponeses e indígenas.
Criticou o "racismo" que sobrevive nos setores privilegiados e o
desprezo que sentem pelos indígenas, percebido em expressões como
"macacos", ou em outras com uma carga política intencional, como
acusações de "narcotraficantes e terroristas".
Morales foi interrompido em várias ocasiões por ovações dos
parlamentares venezuelanos postos de pé.
"Há uma grande rebelião de povos na América. A enorme luta do
irmão Fidel Castro não foi em vão", disse durante sua exposição o
presidente boliviano.
Em vários momentos insistiu em que o principal suporte dos grupos
que se opõem à justiça e à igualdade social em seu país é o Governo
americano, que promove uma "guerra suja".
Morales lembrou que quando chegou ao poder as classes poderosas
não lhe deram mais do que seis meses de permanência no posto, mas
agora estão se mobilizando para tomá-lo porque o processo
transformador se consolidou.
No final de seu discurso disse que assim como ele aceitou o
convite para falar no dia da Independência da Venezuela, espera que
Chávez esteja na Bolívia no próximo dia 6 de agosto para igual
comemoração.
O presidente boliviano explicou que levantar o punho esquerdo,
como ele fez quando tocou o hino de seu país, é uma tradição de
origem indígena e não tem as mesmas conotações que poderiam ser
dadas em outros contextos.
Por fim, Hugo Chávez discursou e lembrou que Morales é o segundo
presidente sul-americano que atua como orador de ordem no dia da
Independência, já que em 2006 o então presidente da Argentina Néstor
Kirchner foi o convidado.
Chávez apoiou o discurso de seu colega boliviano e pediu respeito
internacional para as mudanças que a Bolívia está realizando.
"Há uma revolução na Bolívia. Os países do mundo devem entender.
Já basta de tanta colonização e atropelo", disse o governante
venezuelano.
Morales foi de manhã ao Panteão Nacional para colocar uma
oferenda de flores perante o túmulo de Simón Bolívar, e depois
assistiu ao desfile militar comemorativo da Independência.
O governante boliviano volta esta mesma noite a seu país.