A Convenção Nacional Republicana, que acontece entre 1º e 4 de setembro, trará a nova plataforma republicana, a lista de diretrizes que orientam os políticos eleitos e mostram o posicionamento do partido sobre os mais diversos assuntos.
Normalmente moldadas em torno das políticas de seu candidato presidencial, a plataforma deste ano será marcada pela ausência de seu nome mais importante neste ano: o candidato presidencial
John McCain.
Sob críticas de que é liberal demais para os republicanos --um partido historicamente associado ao conservadorismo-, McCain preferiu deixar o trabalho de reescrever a plataforma para os delegados e manteve suas propostas somente na campanha presidencial.
O senador por Arizona, aponta reportagem do jornal americano "Wall Street Journal", diverge da linha majoritário de seu partido em temas importantes e polêmicos para os eleitores republicanos, como combate ao aquecimento global, permissão do estudo com células-tronco e reforma das leis de imigração.
Ele é uma "voz no processo", explica Steven Duffield, diretor-executivo do comitê que define a nova plataforma.
"Os delegados estão trabalhando nisso e nós deixaremos eles trabalharem como querem na plataforma", concordou Jill Hazelbaker, porta-voz da campanha de McCain. A idéia é não causar --ou ressaltar-- os atritos entre a ala mais conservadora do partido e o senador, uma medida perigosa a menos de três meses das eleições.
Por isso, aponta o jornal, há pouca chance de que as diferenças entre as propostas de McCain e a linha tradicional republicana causem conflitos na convenção. Assim, a plataforma deste ano não deve refletir, como aconteceu nas últimas campanhas, a própria plataforma presidencial de McCain.
O diretor de campanha de McCain, Rick Davis, pediu que o comitê republicano "tente devolver à plataforma os princípios que os trouxeram até aqui". A afirmação sugere, aponta o "Wall Street", diretrizes que não forcem os conservadores a aceitar as posturas mais liberais de McCain, mas que também não levem o candidato a se comprometer com toda a agenda conservadora --algo que poderia lhe custar votos independentes.
O mais importante para a campanha de McCain é acabar com a referência ao atual e impopular presidente george W. Bush. Segundo o jornal "Washington Post", das cem páginas da declaração de princípios apenas nove não citam o nome do atual presidente, o que indica que todo o texto tem que ser reescrito para apagar as marcas de seu mandato.
Por enquanto, até mesmo os 112 membros do comitê não sabem ao certo qual será o tom do texto e alguns deles nem ao menos esperam ver uma preliminar do documento antes de sua apresentação oficial, em Minnesota.
Eleitores
Uma das razões para esta incerteza é a nova estratégia lançada pelo Partido Republicano. Este ano, eles pediram aos eleitores que comentassem e sugerissem temas que consideram importantes para a plataforma.
Segundo o partido, milhares de eleitores já se cadastraram no
site e enviaram comentários. Entre os temas propostos pelo partido para a discussão estão educação, segurança nacional e "proteger os valores americanos".
Na lista, aponta o "Wall Street", estão temas como tornar o inglês a língua oficial, promover energia solar e eólica e acabar com a oposição ao casamento gay.
Por enquanto, eles não dizem exatamente como usarão estes comentários na elaboração do texto ou mesmo quais destes assuntos serão inclusos.
Os membros do comitê têm dois dias para debater o texto e alterá-lo antes de sua apresentação na Convenção. A plataforma é o primeiro item na agenda do evento e deve acontecer longe dos olhos da mídia.