O candidato democrata Barack Obama assegurou hoje que os americanos - que enfrentam uma crise econômica - não podem realizar seus sonhos devido à "política fracassada" do Governo republicano.
Obama encerrou hoje a Convenção Democrata em Denver, que entrará para a história por ter confirmado, pela primeira vez, a candidatura de um afro-americano à Presidência dos Estados Unidos.
Em seu discurso, pronunciado para cerca de 75.000 pessoas, Obama detalhou os problemas concretos que afligem a classe trabalhadora, e pediu que, após oito anos de políticas fracassadas, os americanos não votem no republicano John McCain.
O senador democrata disse que John McCain é "um homem que se merece o respeito dos americanos, porque foi soldado e defendeu o país com coragem, mas isso não significa que ele pode mudar os EUA como agora é preciso".
"John McCain apoiou (o presidente) George W. Bush em 90% das vezes. O senador McCain gosta de falar sobre critério, mas que critério é esse se ele pensa que George W. Bush estava certo em 90% das vezes?", acrescentou.
"Não sei o que vocês pensam, mas eu não estou disposto a apostar em uma mudança de 10%", disse Obama.
"Não acredito que o senador McCain não se importe com a vida dos americanos. O que penso é que ele realmente não sabe o que está acontecendo. Como é possível que ele defina a classe média como a de uma família que tem uma renda superior a US$ 5 milhões por ano?", questionou o candidato democrata.
O senador, que há apenas quatro anos era uma figura desconhecida na política nacional, lembrou que sua vida e sua experiência refletem o que significa o sonho americano, pois foi capaz de evoluir com "sacrifício e trabalho".
"A crença de que podemos conseguir tudo que sonhamos caracterizou este país. Mas agora esta crença está em perigo, porque estamos em um momento em que estamos em guerra, nossa economia está agitada, e o sonho americano está, de novo, sob ameaça", disse.
Obama lembrou que muitos americanos estão desempregados ou recebendo um salário menor, e vários perderam suas casas e não podem pagar pelo combustível ou a educação de seus filhos.
"O (atual) Governo não é o responsável por todos estes problemas, mas o fracasso ao enfrentá-los é sim culpa do Governo fracassado de George W. Bush e da política feita em Washington", afirmou.
"Os Estados Unidos são muito melhor do que o que vivemos nestes oito anos. Somos muito melhor que tudo isso", acrescentou.
Para Obama, uma das diferenças que separam os democratas dos republicanos é a forma de entender o progresso.
"Nós medimos o progresso pela quantidade de pessoas que têm um trabalho que lhe permite pagar a hipoteca, ou economizar para a educação de seus filhos. Nós não o medimos pelo número de multimilionários que há em nosso país ou pelo lucro de nossas corporações", apontou.
Obama lembrou ainda as promessas que lançou durante sua campanha, como reduzir os impostos "de 95% da população", e não só os das grandes corporações.
Também se comprometeu a promover a energia alternativa com um investimento de US$ 150 bilhões na próxima década, para acabar com "nossa dependência do petróleo do Oriente Médio".
O candidato democrata também prometeu melhorar a educação no país, assim como o sistema de saúde para torná-lo universal, um dos temas mais defendidos nas primárias por sua rival, a senadora Hillary Clinton.
Na política externa, um dos temas mais usados pelos republicanos para criticá-lo por sua inexperiência, lembrou que se opôs desde o início à Guerra do Iraque e anunciou que acabará com a presença militar no país árabe "de maneira responsável".
Em matéria de Defesa, se comprometeu a defender os EUA e a enviar as tropas ao exterior, mas "com os equipamentos adequados e com as condições e benefícios que os militares merecem".
No final de seu discurso, recuperou a mensagem de mudança e de esperança que defendeu há quatro anos quando, ainda um desconhecido, tomou a palavra na Convenção Democrata para falar sobre seus ideais.
Assim, encorajou os americanos a deixar a "frustração" em relação a Washington e a abandonar os preconceitos raciais, para que todos possam caminhar juntos para recuperar a prosperidade do país.