Porto Príncipe, 29 ago (EFE).- Legisladores haitianos acusaram
hoje o presidente do país, Rene Préval, de ter violado a
Constituição ao nomear os novos ministros do Governo sem a prévia
aprovação destes no Congresso Nacional (bicameral).
O assunto foi tratado na Câmara dos Deputados no início da sessão
na qual a nova primeira-ministra, Michèle Pierre-Louis, apresentará
seu programa de Governo quatro meses e meio depois da destituição do
chefe de Governo anterior, Jacques-Edouard Alexis.
No iniciou da sessão, que começou com quase duas horas de atraso,
o deputado Acluche Louis-Jeune, da Organização do Povo em Luta
(OPL), disse que Préval e Pierre-Louis nomearam o novo gabinete sem
a aprovação do Parlamento, o que, ressaltou, é "inconstitucional".
O parlamentar fez sua declaração um dia depois de nove senadores
terem enviado uma carta ao presidente Préval na qual pediam para que
a aprovação dos novos ministros não tivesse efeito até que o assunto
fosse conhecido pelos legisladores.
O senador Youri Latortue, um dos signatários da carta, opinou que
Préval "cometeu uma violação da Carta Magna" ao emitir o decreto que
deveria ser aprovado depois que o Parlamento conhecesse o plano de
Governo e o gabinete de Pierre-Louis.
"No regime em que vivemos se exige que o Governo seja aprovado
pelas câmaras antes de ter uma existência legal", acrescentou o
legislador.
Em um decreto transmitido à imprensa em 25 de agosto, o
presidente haitiano substituiu oficialmente o primeiro-ministro
Jacques Edouard Alexis, destituído em 12 de abril pelo Senado
haitiano, em meio a uma crise provocada pelo alto custo de vida, na
qual morreram seis pessoas.
Além disso, nomeou um novo Governo, do qual fazem parte oito
ministros que faziam parte do gabinete anterior.
O senador Latortue disse que não há problemas com a nomeação
oficial de Pierre-Louis como primeira-ministra, já que sua
designação já foi aprovada pelas duas câmaras, mas esclareceu que
são os parlamentares que devem "dar uma existência legal ao
Governo".
Vários setores também se expressaram contra o procedimento
realizado por Préval para nomear o Governo e opinaram que é a
primeira vez que isto acontece desde a promulgação da Carta Magna em
1987.